O sonho de defender o Brasil no principal torneio de seleções do planeta acabou da forma mais triste e dolorosa possível para o jovem lateral-direito Wesley. Na tarde deste domingo (7), a comissão técnica da Seleção Brasileira confirmou o corte oficial do jogador, silenciando o clima de festa que embalava a equipe após o último amistoso.
Giordana Krumpanzer — Repórter
A tragédia pessoal do atleta, revelado pelo Flamengo e que atualmente brilha no futebol europeu pela Roma, aconteceu no último sábado, logo aos 16 minutos do primeiro tempo do jogo contra o Egito. Ao sentir uma fisgada forte na perna esquerda, Wesley percebeu imediatamente a gravidade do problema, pediu para sair e desabou em lágrimas no banco de reservas.
Amparado pelos companheiros e pelos médicos da equipe, ele deixou o estádio mancando com dificuldade. Na manhã de hoje, o resultado cruel da ressonância magnética selou seu destino: uma lesão séria no músculo adutor da coxa esquerda, sem tempo hábil para recuperação antes da bola rolar.
A surpresa na decisão do técnico
Com a perda de última hora, todos esperavam que o técnico Carlo Ancelotti chamasse imediatamente outro lateral-direito que estava na lista de espera. Nomes que atuam no Brasil aguardavam ansiosos pelo telefone tocar. Mas a decisão do comandante italiano foi radical e pegou muita gente de surpresa: a vaga ficou com o volante Éderson.
Aos 26 anos, o meio-campista tem um currículo de peso no futebol brasileiro, com passagens marcantes por Corinthians, Cruzeiro e Fortaleza. Hoje, ele é um dos destaques da Atalanta, na Itália, e está na mira de gigantes ingleses para a próxima janela de transferências. Embora já tenha sido chamado por Ancelotti no passado, Éderson entrou em campo pouquíssimas vezes com a camisa amarela e chega para ser o elemento surpresa do grupo.
Consequências perigosas para o time
A escolha de Ancelotti muda completamente a dinâmica do elenco para a grande disputa internacional. Ao convocar um volante, o técnico blinda ainda mais o meio-campo, que agora passa a contar com seis opções fortíssimas para o setor de marcação e criação.
O grande risco, no entanto, fica na defesa. Ao não repor a saída de Wesley com outro atleta da mesma posição, a lateral direita brasileira fica “órfã” de um reserva de origem. Se houver qualquer emergência ou suspensão no setor durante o torneio, a comissão técnica será obrigada a improvisar, deslocando os zagueiros centrais Ibañez ou Danilo para quebrarem o galho na ponta.
A assustadora sombra das lesões
O clima de apreensão faz sentido. Há 20 anos, desde 2006, a Seleção Brasileira não vivia o drama de precisar cortar um jogador às vésperas de estrear na principal competição internacional do esporte.
Para piorar, o departamento médico se tornou o principal adversário do Brasil nesta temporada. Wesley não é o primeiro a ver o sonho escorrer pelos dedos. Apenas nos últimos meses, a Seleção já havia perdido três talentos inquestionáveis e titulares absolutos — Militão, Estêvão e Rodrygo — todos abatidos por lesões implacáveis. Agora, o grupo precisa juntar os cacos emocionais e blindar a mente para a estreia iminente que vai parar o país.