Após escalada de mísseis, Israel e Irã suspendem ataques a pedido de Trump; ofensiva no Líbano continua

Pressionados pela Casa Branca, os dois países interrompem o confronto direto horas após trocarem bombardeios que ameaçaram o cessar-fogo no Oriente Médio. Tel Aviv, no entanto, manterá as operações contra o Hezbollah.
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Após um fim de semana de alta tensão diplomática e militar no Oriente Médio, Israel e Irã concordaram nesta segunda-feira (8) em suspender os ataques mútuos. A decisão ocorreu após uma forte intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo agências internacionais e a rede de TV israelense Canal 12, fontes do alto escalão do governo de Benjamin Netanyahu confirmaram a interrupção da ofensiva contra Teerã logo após uma ligação telefônica com o líder norte-americano. Poucas horas antes, o Irã também havia anunciado a pausa em seus ataques.

A intervenção de Trump: “Eu dou as cartas”

A escalada do fim de semana ameaçou implodir as negociações de paz estruturadas por Washington. Na sua rede social, a Truth Social, Trump exigiu que ambos os países parassem imediatamente com o “tiroteio”.

Em entrevista ao jornal Financial Times, o presidente norte-americano adotou um tom incisivo em relação ao seu aliado histórico, afirmando que Netanyahu “não tinha opção” a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã, pois é ele, Trump, quem “dá as cartas”.

“Estamos próximos de um acordo [de paz] final com o Irã, eu não quero estragar tudo por causa do que está acontecendo agora”, declarou Trump ao site Axios.
A relação entre Trump e Netanyahu já vinha desgastada. Na semana passada, o presidente dos EUA chegou a chamar o primeiro-ministro israelense de “completamente louco” por insistir em bombardear o Líbano.

A exceção ao acordo: Líbano segue sob fogo

Apesar da trégua direta entre Tel Aviv e Teerã, o governo de Israel deixou claro que a pausa não se aplica ao Líbano. Fontes do Canal 12 afirmaram que os ataques israelenses no sul do país continuarão com “força total” nos próximos dias.

A capital libanesa, Beirute, também continuará sendo alvo caso o grupo terrorista Hezbollah (financiado pelo Irã) mantenha seus ataques contra o norte do território israelense.

A cronologia da crise e as ameaças às bases dos EUA

A quebra momentânea do cessar-fogo começou quando Israel bombardeou os subúrbios de Beirute, alegando mirar terroristas do Hezbollah. Em retaliação, o Irã disparou uma onda de mísseis contra Israel no domingo (7). Israel respondeu na madrugada de segunda-feira (8) bombardeando sistemas de defesa aérea na região central e oeste do Irã, que abrigavam mísseis antiaéreos.

A crise provocou o fechamento temporário do espaço aéreo no Irã e no Iraque. Em meio ao caos, o Irã subiu o tom contra os Estados Unidos:

  • Culpa americana: O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que os EUA têm responsabilidade direta pelas violações da trégua, afirmando que Israel não toma decisões sem consultar Washington.
  • Alvos legítimos: O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Qalibaf, declarou que as 19 bases militares dos EUA no Oriente Médio (localizadas em países como Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes) voltaram a ser consideradas “alvos legítimos”.
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