TSE decide hoje se mantém liminar que suspendeu pesquisa desfavorável a Flávio Bolsonaro

Plenário do Tribunal julga nesta terça-feira (9) a decisão do ministro Nunes Marques que retirou do ar um levantamento da AtlasIntel. Pesquisa apontava queda nas intenções de voto do senador após vazamento de áudios com ex-banqueiro.
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O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reúne nesta terça-feira (9), às 19h, para um julgamento de grande peso na corrida eleitoral. Os ministros vão decidir se mantêm ou derrubam a decisão liminar (provisória) proferida pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques, que determinou a suspensão imediata de uma pesquisa eleitoral com resultados negativos para o pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão de Nunes Marques obrigou o instituto AtlasIntel, responsável pelo levantamento, a retirar a pesquisa de todos os seus canais de comunicação e a interromper qualquer divulgação dos dados coletados em maio.

O pivô da controvérsia: O caso Banco Master

A pesquisa censurada pela liminar foi a campo logo após o desgaste político gerado pelo vazamento de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro. Nas gravações, o senador supostamente aparece pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro — ex-dono do extinto Banco Master e investigado por fraudes financeiras bilionárias — para financiar a produção de um filme sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os dados coletados pela AtlasIntel mostraram um impacto direto desse escândalo, refletindo uma queda nas intenções de voto do pré-candidato do PL.

Os argumentos do PL e a decisão de Nunes Marques

A ação no TSE foi movida pelo Partido Liberal (PL), que acusou a pesquisa de ter um “direcionamento negativo” contra Flávio Bolsonaro. Ao acatar o pedido e conceder a liminar, Nunes Marques considerou os argumentos da legenda plausíveis e afirmou que o caso vai além de uma simples “discordância metodológica”, havendo um risco objetivo de o questionário ter funcionado como um “mecanismo de indução do entrevistado”.

O ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os principais argumentos do partido que fundamentaram a suspensão foram:

  • Proporção das perguntas: Das 49 perguntas do questionário, 8 eram exclusivamente sobre o escândalo do Banco Master, ligando diretamente o nome do senador à fraude.
    Sequência indutiva: O PL argumentou que as perguntas foram feitas em uma sequência arquitetada para influenciar o entendimento e a percepção do entrevistado antes de questionar a intenção de voto.
  • Provas não atestadas: A sigla defendeu que o áudio vazado ainda não teve sua autenticidade comprovada pela Justiça e, portanto, não poderia servir de base fática para um levantamento estatístico eleitoral.

Composição do Plenário do TSE

Como a decisão de Nunes Marques tem caráter liminar, ela precisa obrigatoriamente ser avaliada pelo colegiado. O plenário do TSE que definirá o futuro da pesquisa na sessão desta noite é composto por sete ministros: Nunes Marques (Presidente), André Mendonça,  Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e
Estela Aranha.

O que diz a AtlasIntel

Em resposta à suspensão, o instituto de pesquisa AtlasIntel divulgou uma nota defendendo a higidez do seu levantamento e mostrando confiança na reversão da medida pelo colegiado da Corte Eleitoral.

“A situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada, e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, declarou a empresa.

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