PM de SP aposenta com salário de R$ 22 mil tenente-coronel preso por matar esposa

Transferência de Geraldo Leite Rosa Neto para a reserva foi publicada no Diário Oficial; pagamentos do acusado passam a ser geridos pela SPPrev enquanto ele aguarda julgamento em regime fechado.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A Polícia Militar de São Paulo publicou, nesta quarta-feira (10), o decreto que confirma oficialmente a transferência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto para a reserva remunerada da corporação. O oficial é réu preso e principal acusado pelo crime de feminicídio contra a própria esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana.

O ato administrativo foi assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Com a oficialização da aposentadoria, o fluxo de pagamentos dos vencimentos do tenente-coronel deixa de ser gerido pela folha interna da Polícia Militar e passa a ser de responsabilidade da São Paulo Previdência (SPPrev), o instituto previdenciário do governo estadual.

Prisão preventiva e andamento jurídico
Geraldo Leite Rosa Neto cumpre prisão preventiva em regime fechado em uma unidade prisional militar de segurança máxima desde o início das investigações, que apontaram indícios materiais de autoria no assassinato de Gisele.

Juridicamente, a concessão da aposentadoria por tempo de serviço ou critérios regulamentares de inatividade é um direito garantido pelo estatuto dos servidores e militares do estado enquanto não houver uma condenação penal transitada em julgado com a respectiva perda de posto e patente, que tramita de forma independente na Justiça Militar.

Repercussão interna e pressão social
A publicação do decreto movimentou os bastidores da Segurança Pública paulista e reacendeu debates sobre os protocolos de acolhimento e a violência de gênero interna nas forças de segurança, onde tanto a vítima quanto o agressor faziam parte dos quadros oficiais.

A SPPrev informou que os repasses seguirão o cumprimento estrito das ordens de inatividade publicadas, mas comissões de direitos humanos e movimentos sociais acompanham os desdobramentos na expectativa de que a data do julgamento do réu pelo Tribunal do Júri seja agendada nos próximos meses.

Carregar Comentários