A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aparece no centro de uma nova polêmica envolvendo o uso de dinheiro público para impulsionamento de conteúdos nas redes sociais.
Um levantamento aponta que cerca de R$ 4 milhões foram gastos com impulsionamento de publicações no Instagram e Facebook, com foco em ações de divulgação institucional e conteúdos ligados a parlamentares.
Os valores chamam atenção não apenas pelo montante, mas também pela natureza dos posts impulsionados, que levantam questionamentos sobre possível caráter político-eleitoral na comunicação digital do Legislativo.
Os registros indicam que os valores foram direcionados para anúncios pagos nas plataformas digitais, com o objetivo de ampliar o alcance de publicações da Alesp.
Na prática, esse tipo de ferramenta permite que conteúdos institucionais — e também de parlamentares — apareçam para um público maior, fora dos seguidores orgânicos das páginas.
O ponto de debate é justamente a linha entre:
- comunicação institucional legítima;
- e promoção indireta de figuras políticas;
O tema ganhou repercussão porque o gasto com redes sociais vem crescendo em órgãos públicos, ao mesmo tempo em que aumenta a cobrança por transparência no uso do dinheiro público.
Especialistas e órgãos de controle costumam alertar que esse tipo de investimento precisa seguir critérios claros para não se confundir com propaganda de interesse político.
A principal preocupação é evitar que recursos públicos sejam utilizados, mesmo que de forma indireta, para fortalecimento de imagem de parlamentares em ambiente digital.
Comunicação pública ou marketing político?
A discussão central envolve uma linha cada vez mais tênue no ambiente digital.
De um lado, a comunicação institucional é considerada importante para informar a população sobre atividades do Legislativo.
Do outro, há críticas sobre o uso de impulsionamentos pagos para ampliar alcance de conteúdos que podem beneficiar politicamente determinados grupos ou parlamentares.
Esse tipo de prática reacende o debate sobre:
- transparência dos gastos;
- fiscalização de publicidade institucional;
- e limites entre informação e promoção pessoal;
O caso deve continuar sob análise pública e pode gerar desdobramentos em órgãos de controle, que costumam acompanhar esse tipo de despesa.
A discussão também tende a pressionar por mais regras e critérios para impulsionamento de conteúdo em redes sociais por instituições públicas.