Uma operação militar de alto impacto e com o uso de tecnologia de ponta sacudiu a geopolítica das Américas e resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o temido “Niño Guerrero”. O criminoso era apontado pelas agências de inteligência como o líder máximo do Tren de Aragua, a organização criminosa mais poderosa da Venezuela e que vinha expandindo seus tentáculos por vários países, incluindo os Estados Unidos.
A confirmação da morte foi feita em uma ação conjunta inédita entre os governos dos dois países nesta sexta-feira (12), marcando um ponto de virada drástico no combate às facções internacionais no continente.
Como foi a operação militar?
A notícia veio a público inicialmente através das redes sociais do presidente dos EUA, Donald Trump. Em sua plataforma, a Truth Social, Trump revelou que o ataque foi coordenado e executado por equipes de elite do Comando Sul americano, uma divisão das Forças Armadas focada na América Latina. O presidente chegou a publicar um vídeo que mostra os segundos exatos do bombardeio tático.
“Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque cinético rápido e letal para executar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta”, disparou o presidente americano.
Logo em seguida, o governo venezuelano emitiu uma nota confirmando que participou ativamente da caçada humana, realizada no sudeste do estado de Bolívar, uma região marcada pelo garimpo ilegal. O comunicado oficial da Venezuela destacou que Guerrero foi “neutralizado” após intensos confrontos e uma pesada troca de informações secretas entre Washington e Caracas.
Quem era Niño Guerrero e a facção Tren de Aragua?
“Niño Guerrero” era considerado um fantasma pelas autoridades. Ele comandava as ações do Tren de Aragua, uma facção que nasceu em 2014 dentro da prisão de Tocorón e rapidamente se transformou em uma multinacional do crime, controlando o tráfico de drogas, pessoas, armas, além de esquemas brutais de extorsão e assassinatos por encomenda.
O cerco contra o chefe do crime vinha apertando nos últimos meses:
Sendo caçado: O Departamento de Estado dos EUA oferecia uma recompensa astronômica de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.
Terrorismo: Trump já havia classificado a gangue formalmente como uma organização terrorista internacional devido ao impacto de suas ações em solo americano.
Processos pesados: Promotores federais de Nova York mantinham acusações abertas contra o criminoso e outros 70 membros da quadrilha por despejarem toneladas de entorpecentes em solo americano.
O contexto político nos bastidores
A operação surpreendeu o mundo pela cooperação militar entre as duas nações, especialmente após os episódios dramáticos do início do ano, quando forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro para enfrentar acusações de narcotráfico nos EUA.
Por meses, Trump repetiu em seus comícios e entrevistas a tese de que o Tren de Aragua operava sob o comando direto de Maduro para desestabilizar as cidades americanas — uma alegação que, posteriormente, foi desmentida por um relatório confidencial da própria inteligência dos EUA, que teve o seu sigilo retirado.
O que acontece agora?
A morte de Niño Guerrero deixa um vácuo imenso no poder da facção e deve iniciar uma guerra interna violenta pela sucessão do comando do grupo na América Latina. Embora o governo venezuelano tenha afirmado em outras ocasiões que o grupo estava “totalmente desmantelado”, as polícias das principais capitais do continente continuam em alerta máximo.
A Casa Branca e o Pentágono mantêm o sigilo sobre os detalhes operacionais do bombardeio, mas o recado de Trump foi claro: a tolerância com as gangues que cruzam as fronteiras americanas agora é zero.