Justiça suspende bloqueios de R$ 3,2 milhões e garante continuidade dos serviços em Coari

As retenções já ultrapassavam R$ 3,2 milhões e, segundo o município, comprometiam a gestão administrativa e a prestação de serviços essenciais
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O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) determinou a suspensão imediata dos bloqueios judiciais que vinham sendo realizados nas contas da Prefeitura de Coari desde fevereiro deste ano.

As retenções já ultrapassavam R$ 3,2 milhões e, segundo o município, comprometiam a gestão administrativa e a prestação de serviços essenciais.

Município aponta abuso e irregularidades nos bloqueios

A decisão atende a um pedido da Prefeitura de Coari, que alegou excesso por parte da 2ª Vara do município. De acordo com a administração, os bloqueios ocorreram sem observância de critérios legais, sem publicidade adequada e sem controle transparente da ordem de pagamento das dívidas judiciais.

Na decisão, o desembargador João de Jesus Abdala Simões destacou que parte das retenções alcançou contas que não podem ser alvo desse tipo de medida. Entre elas estão a conta destinada ao pagamento da folha salarial dos servidores municipais e aquelas que recebem verbas federais vinculadas a áreas como saúde e educação.

Problemas apontados pela Justiça

O magistrado elencou fatores que justificaram a suspensão dos bloqueios:

  • Inexistência de uma relação cronológica clara dos credores de Requisições de Pequeno Valor (RPVs);
  • Bloqueio de recursos considerados impenhoráveis pela legislação;
  • Pagamentos acima do limite permitido para RPVs no município;
  • Risco real de paralisação da máquina pública e atraso salarial.

Limite das RPVs não foi respeitado

Em Coari, as RPVs possuem teto de até 10 salários mínimos. Valores superiores devem seguir o rito dos precatórios, com análise em segundo grau no TJAM. Segundo a decisão, o desrespeito a esse procedimento tornou parte das retenções ilegais.

Determinações impostas pela liminar

Com a concessão da liminar, a Justiça determinou:

  • Liberação imediata dos valores bloqueados da conta de pagamento dos servidores;
  • Suspensão de novos bloqueios em massa;
  • Apresentação de uma lista pública e cronológica de todos os credores de RPVs.

A medida garante a continuidade dos serviços básicos no município e reduz o risco de atrasos salariais, trazendo alívio aos servidores e permitindo que a prefeitura reorganize os pagamentos conforme as normas legais.

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