Uma declaração feita por um padre da Diocese de Caratinga, em Minas Gerais, durante uma missa no último domingo (8), gerou forte repercussão nas redes sociais e provocou reação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além de manifestação oficial da Igreja Católica.
O sacerdote afirmou que fiéis que concordassem com o posicionamento do parlamentar sobre o vale-gás não deveriam receber a Eucaristia, sacramento central da fé católica.
Fala ocorreu durante celebração religiosa
O episódio aconteceu no município de Córrego Novo, no interior do estado. Em vídeo que circula nas redes, o padre orienta que pessoas alinhadas ao discurso do deputado deixem a igreja antes do momento da comunhão.
A declaração foi feita do altar, durante a homilia, o que ampliou as críticas sobre o uso do espaço litúrgico para manifestações de cunho político.
Deputado reage e critica politização da fé
Nikolas Ferreira se pronunciou após a divulgação do vídeo e afirmou que a Eucaristia não pode ser usada como instrumento de coerção política. Segundo o deputado, condicionar a comunhão ao apoio ou rejeição a um político distorce os princípios da Igreja Católica.
O parlamentar também voltou a criticar o programa do vale-gás, classificando a iniciativa como medida assistencialista com viés eleitoral, e afirmou que políticas públicas não devem ser confundidas com ações de caridade.
Diocese se manifesta e padre pede desculpas
Diante da repercussão, a Diocese de Caratinga divulgou nota esclarecendo que a atitude do sacerdote não representa o posicionamento oficial da Igreja.
No comunicado, a Diocese destacou que o espaço litúrgico deve ser ambiente de acolhimento, oração e unidade, independentemente das posições políticas dos fiéis.
A nota também informa que o padre reconheceu o erro, demonstrou arrependimento e pediu perdão à comunidade e às pessoas que se sentiram ofendidas.
Igreja reforça caráter universal da Eucaristia
A Diocese ressaltou ainda que, conforme a doutrina católica, a Eucaristia é símbolo de comunhão e não deve ser utilizada como ferramenta de exclusão, divisão ou pressão ideológica.
O caso segue repercutindo nacionalmente e reacende o debate sobre os limites entre religião, política e liberdade de consciência dentro das igrejas.