Quem é Tatiana Sampaio: cientista brasileira que lidera pesquisa promissora para lesões na medula

Com uma trajetória consolidada na ciência, a pesquisadora construiu carreira voltada à neurociência e à biologia celular
Redação NC News
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A bióloga Tatiana Sampaio ganhou destaque nacional após liderar o desenvolvimento da polilaminina, uma molécula criada em laboratório que reacendeu a esperança de tratamento para pessoas com lesões na medula espinhal.

Com uma trajetória consolidada na ciência, a pesquisadora construiu carreira voltada à neurociência e à biologia celular.

Trajetória acadêmica e início na ciência

Apaixonada por ciência desde a infância, Tatiana Sampaio se formou em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde então, manteve atuação contínua no meio acadêmico.

A pesquisadora realizou mestrado e doutorado na área e, posteriormente, fez estágios de pós-doutorado em instituições internacionais, incluindo:

  • Universidade de Illinois, nos Estados Unidos
  • Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha

Aos 27 anos, ela já havia ingressado como professora da UFRJ, consolidando precocemente sua carreira universitária.

A descoberta da polilaminina

Tatiana chamou atenção do país ao coordenar a criação da polilaminina, uma versão sintética da laminina — proteína naturalmente produzida pelo organismo e essencial para a conexão entre neurônios.

O composto foi desenvolvido na UFRJ a partir de material da placenta humana. A proposta da pesquisa é estimular a regeneração de conexões nervosas em pessoas com lesões medulares, condição que historicamente possui poucas opções terapêuticas eficazes.

Resultados iniciais animadores

A pesquisa, iniciada em 1998, avançou ao longo de décadas. Em testes realizados com pacientes paraplégicos e tetraplégicos, a polilaminina apresentou resultados considerados promissores:

  • 8 pacientes participaram da aplicação experimental
  • 6 deles tiveram recuperação de movimentos
  • um paciente voltou a andar sem auxílio

Os dados reforçaram o potencial terapêico da molécula e ampliaram o interesse da comunidade científica.

Estudos clínicos autorizados

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase clínica do estudo para avaliar a segurança do medicamento em humanos.

Nesta etapa inicial, cinco voluntários participam da pesquisa. A expectativa é que a proteína estimule a formação de novas conexões nervosas na área lesionada, possibilitando recuperação funcional.

Atuação atual e outras pesquisas

Atualmente, aos 59 anos, Tatiana Sampaio continua à frente das pesquisas com polilaminina. Paralelamente, ela conduz estudos com cães para avaliar efeitos do tratamento em lesões crônicas.

A cientista também atua como sócia e consultora científica da empresa Cellen, voltada à produção de células-tronco para uso veterinário.

Impacto e desafios

A descoberta da polilaminina gerou retorno financeiro para a UFRJ. Em dezembro de 2023, a tecnologia rendeu cerca de R$ 3 milhões em royalties à universidade — o maior valor já registrado pela instituição até então.

Apesar do avanço científico, a pesquisadora apontou que o Brasil perdeu a patente internacional da molécula após cortes orçamentários que atingiram a universidade.

Perspectivas

Com décadas de pesquisa acumulada, o trabalho liderado por Tatiana Sampaio é acompanhado com expectativa por especialistas e pacientes. O avanço dos testes clínicos deverá indicar se a polilaminina poderá, de fato, se tornar uma nova alternativa terapêutica para lesões na medula espinhal.

Com informações da Forbes*

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