Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras consideradas fora do padrão em uma conta vinculada ao escritório de advocacia da esposa do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, que responde a acusações de assédio sexual e está afastado de suas funções.
De acordo com o documento, o escritório de Katcha Valesca de Macedo Buzzi aparece de forma recorrente em comunicações do Coaf e teria registrado movimentações superiores à sua capacidade financeira declarada, além de não ter apresentado esclarecimentos ao órgão sobre os valores recebidos.
As operações consideradas suspeitas ocorreram entre 15 de outubro de 2023 e 15 de janeiro de 2024.
O Estadão teve acesso ao documento que diz que “até o presente momento, a empresa não apresenta documentação financeira atualizada para embasar capacidade financeira, possui em cadastro informações financeiras até 02/2019 onde demonstra uma média mensal de R$ 58.829,17, no entanto, apresenta uma média trimestral de movimentações em conta de R$ 1.396.833,33 tendo recebido somente em dezembro [de 2024] R$ 2.625.000,00.”
A advogada declarou, por meio de nota, que se desligou da sociedade De Macedo Buzzi & Souza Advogados há cerca de um ano e afirmou não ter conhecimento sobre os aspectos contábeis do escritório.
“Ela não era sócia-administradora e, portanto, desconhece detalhes da contabilidade, bem como os números mencionados. A relação entre advogados e clientes é de natureza sigilosa. A violação do sigilo, sem autorização judicial, constitui grave ilegalidade”, diz a nota.