Neymar volta a ficar à disposição da seleção brasileira nesta quarta-feira (24), aos 34 anos, para o duelo contra a Escócia, às 19h (de Brasília), em Miami. O jogo, pela terceira rodada do Grupo C do Mundial de Seleções, pode marcar a estreia do camisa 10 na competição depois de quase três anos afastado por lesões.
Retorno após 650 dias e lesão no joelho
O último jogo de Neymar pela Seleção acontece em 17 de outubro de 2023, na derrota por 2 a 0 para o Uruguai, pelas Eliminatórias. Naquela noite, ele rompe o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho esquerdo ainda no primeiro tempo e deixa o gramado de maca, em Montevidéu.
Desde então, o atacante passa por cirurgia, sequência de tratamentos e recaídas que o mantêm mais de 650 dias longe dos gramados. O período inclui a passagem pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, e o retorno ao Santos, em 2025, numa tentativa de reativar a carreira. As lesões, porém, atrasam o plano e alimentam dúvidas sobre sua condição física real.
Em 2026, Neymar inicia uma retomada cautelosa. Entra em campo 15 vezes, marca 6 gols, distribui 4 assistências e nunca disputa mais de quatro partidas seguidas. O manejo de minutos vira parte do protocolo para preservar o joelho operado e evitar novas paradas longas.
Confiança de Ancelotti e clima de decisão
Carlo Ancelotti assume a Seleção após deixar o Real Madrid e decide apostar na recuperação do camisa 10. A convocação para o Mundial provoca debate no Brasil, com questionamentos sobre o momento físico do jogador e sobre qual versão de Neymar o país veria, se de fato ele voltasse em alto nível.
Na véspera do jogo contra a Escócia, o técnico italiano encerra o mistério. “Neymar está disponível. Treinou bem durante a semana, preparou bem para o jogo para poder jogar com outros jogadores. Estamos muito felizes que ele está de volta. Com a qualidade dele, pode ajudar o time”, afirma.
Ancelotti reforça que o plano físico está cumprido e, em tom bem-humorado, indica que o limite de minutos não é mais obstáculo. “Ele pode jogar. Eu posso jogar 90 minutos caminhando. Ele pode jogar, está bem. Treinou muito bem. Estou muito feliz com ele”, diz. O treinador destaca ainda o comportamento do atacante no dia a dia: “A atitude de Neymar esses dias foi muito boa. Ele conhece muito bem os companheiros. Trabalhou muito bem, com muita seriedade. Tentando recuperar o mais cedo possível”.
O duelo em Miami tem peso direto na campanha brasileira. O Brasil lidera o Grupo C com 4 pontos após empatar por 1 a 1 com o Marrocos e vencer o Haiti por 3 a 0. Precisa de uma vitória ou de um empate para assegurar a liderança e avançar direto ao mata-mata, mantendo a base de treinos e jogos nos Estados Unidos.
Neymar muda a engrenagem do ataque
A volta do camisa 10 mexe com a estrutura ofensiva da equipe. Sem ele, Ancelotti distribui protagonismo entre jovens e jogadores em ascensão, como Gabriel Martinelli, que ganha espaço na construção das jogadas e na definição. Com Neymar à disposição, o desenho muda.
Martinelli reconhece o impacto da presença do veterano. “Ele está jogando em um nível muito alto e dava para perceber a intensidade no treino de hoje. Dava para ver o quanto ele está ansioso para estar conosco, e a qualidade dele é inquestionável”, afirma o atacante.
Na prática, Neymar oferece ao time um meia-atacante capaz de recuar para organizar, acelerar o jogo entre linhas e ainda finalizar perto da área. O meio-campo passa a ter mais um ponto de criação, e o ataque ganha referência técnica e psicológica. Para os adversários, o custo é imediato: a defesa escocesa volta a ter um jogador para marcar em todos os setores do campo.
O retorno do camisa 10, porém, exige reposicionamentos. Jogadores que assumem a responsabilidade nessa lacuna, como o próprio Martinelli, podem ser recuados ou deslocados para o lado, dependendo da escalação. A ausência de Raphinha por lesão na coxa também obriga Ancelotti a redesenhar a ponta direita, com Luiz Henrique e o jovem Rayan no páreo.
O técnico sabe que a forma como gerenciará esses minutos iniciais de Neymar no Mundial pode influenciar todo o cruzamento à frente. Se o Brasil confirmar a liderança, encara rivais da chave que reúne Holanda, Japão, Tunísia e uma seleção vinda da repescagem europeia, e continua sem sair dos Estados Unidos até as fases mais agudas do torneio.
Tecnologia sob as chuteiras e efeito fora de campo
A preparação para o retorno de Neymar não se resume ao trabalho físico. O jogador entra em campo com caneleiras personalizadas avaliadas em R$ 7 mil, produzidas pela empresa Profix com tecnologia de impressão 3D e acabamento do artista plástico Thiago Rosinhole.
Cada peça é moldada a partir de um escaneamento digital das pernas do atleta. O objetivo é reduzir qualquer desconforto de contato e dar sensação de peça “colada” ao corpo, algo crucial para um jogador que volta de grave lesão e ainda carrega histórico recente de problemas musculares. Em nota, a Profix explica: “Cada caneleira foi produzida a partir de um escaneamento 3D da perna do atleta, garantindo um nível de precisão impressionante em curvatura, encaixe e conforto. Tecnologia aplicada para criar algo verdadeiramente único”.
O investimento em detalhes alimenta também o entorno comercial. O retorno do principal nome da Seleção a um Mundial reacende negociações com patrocinadores, aumenta o interesse de clubes e amplia a exposição do torneio no Brasil e no exterior. A imprensa internacional destaca a reviravolta de um jogador cuja carreira alterna momentos de genialidade e prontuários médicos extensos.
O comportamento do grupo até agora indica acolhimento. Ancelotti ressalta que, mesmo quando não entra em campo, Neymar tem papel de referência para os mais jovens, função que ganha relevância num elenco pressionado a recolocar o Brasil entre os protagonistas do Mundial.
Expectativa, dúvidas e o que está em jogo
A presença de Neymar no banco ou entre os titulares hoje responde a uma ansiedade acumulada desde 2023. Também abre uma nova etapa na relação do jogador com a Seleção. Com 34 anos, ele disputa o que pode ser seu último grande ciclo com a camisa brasileira em um Mundial, sob avaliação permanente sobre longevidade, disciplina e capacidade de decidir.
O desempenho contra a Escócia tende a orientar o plano de uso do camisa 10 nas fases seguintes. Se o joelho responde bem e a intensidade se mantém, Ancelotti ganha a liberdade de escalar o astro por 90 minutos em confrontos contra potências como Alemanha, França ou Holanda, que despontam no horizonte do mata-mata. Em caso de limitação física ou sinal de desconforto, o técnico será obrigado a retardar esse protagonismo e insistir na repartição de responsabilidades.
O jogo de Miami, portanto, vale mais do que a liderança do Grupo C. Representa o começo do veredito sobre o estágio atual de Neymar, seu peso real na Seleção de 2026 e o desenho de seu legado com a camisa 10 brasileira. As próximas semanas dirão se o retorno, tão aguardado, inaugura um capítulo de afirmação tardia ou apenas estende uma carreira marcada por lampejos brilhantes e interrupções dolorosas.
Por que o Neymar não vai jogar hoje?
Neymar está relacionado e, segundo Carlo Ancelotti, em condição de atuar até 90 minutos se necessário. A decisão sobre ser titular ou reserva é apenas técnica.
Santos: Neymar joga hoje?
Não. Neymar não está mais no Santos neste momento. Ele está com a seleção brasileira, à disposição para o jogo contra a Escócia pelo Mundial de Seleções.
Quando Neymar volta a jogar?
Neymar volta a ficar disponível pela Seleção hoje, 24 de junho de 2026, às 19h (de Brasília), no duelo contra a Escócia, em Miami.
Qual a situação do Neymar hoje?
Aos 34 anos, ele retorna de uma grave lesão no joelho esquerdo após mais de 650 dias. Em 2026 soma 6 gols e 4 assistências em 15 jogos e está liberado para atuar.