O cenário de guerra no Oriente Médio atingiu um novo pico de tensão nesta sexta-feira (27). O Exército de Israel realizou novos ataques aéreos contra Teerã, capital do Irã, e Beirute, no Líbano, mirando centros de produção de mísseis balísticos e redutos do Hezbollah. A escalada ocorre em um momento crítico, ignorando as negociações de paz mediadas pelo Paquistão entre Washington e o regime iraniano. Em represália, o Irã lançou drones contra infraestruturas estratégicas no Kuwait, ampliando o conflito para os países do Golfo.

Ofensiva total e represália no Golfo
As Forças de Defesa de Israel intensificaram seus ataques nesta sexta-feira contra alvos estratégicos em Teerã e no oeste do Irã, visando desarticular a capacidade de produção e lançamento de mísseis balísticos do regime. A operação simultânea também atingiu o sul de Beirute, reduto do grupo Hezbollah. A estratégia do gabinete de Benjamin Netanyahu busca neutralizar ameaças diretas em múltiplas frentes, mesmo sob críticas internas sobre a falta de efetivo militar. Como resposta imediata, a Guarda Revolucionária do Irã atacou portos no Kuwait e bases que abrigam forças americanas na região, além de emitir uma ameaça direta contra hotéis que hospedem soldados dos EUA, alegando que esses estabelecimentos passarão a ser considerados alvos militares legítimos.
Ataques simultâneos e crise estratégica
Em Israel, o governo enfrenta pressão interna. O líder da oposição, Yair Lapid, criticou a condução dos combates, afirmando que a estratégia de Netanyahu carece de planejamento e soldados em número suficiente para sustentar tantas frentes de batalha. Na quinta-feira (26), o porta-voz do Exército, Effie Defrin, já havia reconhecido a necessidade urgente de reforços.
Do outro lado, o impacto no Golfo foi imediato. Os portos de Shuwaikh e Mubarak al-Kabeer, no Kuwait, foram atingidos por drones e mísseis ao amanhecer. Embora as autoridades locais confirmem apenas danos materiais e nenhuma vítima, a campanha de represálias iranianas contra países que abrigam bases americanas tornou-se um evento quase diário desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro.
Hotéis na mira e “escudos humanos”
A retórica iraniana subiu de tom com declarações do porta-voz das Forças Armadas, Abolfazl Shekarchi, e do chanceler Abbas Araghchi. Teerã acusa militares dos EUA de abandonarem bases oficiais para se esconderem em hotéis e escritórios civis em países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
“Quando soldados americanos entram em um hotel, do nosso ponto de vista, esse hotel se torna americano e um alvo necessário”, alertou Shekarchi em rede estatal.
Araghchi foi além, pedindo que os hotéis da região recusem reservas de militares dos EUA para evitar que as populações locais sejam usadas como “escudos humanos”.