Fazenda identifica sinais de pirâmide em projeto de ‘Elon Musk brasileiro’

Flávio Figueiredo Assis é dono da Lecar
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O Ministério da Fazenda apontou sinais de possível irregularidade na comercialização antecipada de carros elétricos e híbridos feita pela Lecar, empresa do empresário capixaba Flávio Figueiredo Assis, conhecido nas redes como “Elon Musk brasileiro”. Um documento técnico elaborado pela Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas indica que o modelo de negócios apresenta elementos que podem caracterizar fraude.

A empresa, que reúne mais de 270 mil seguidores no Instagram, se apresenta como uma montadora nacional voltada à inovação na mobilidade elétrica. Mesmo sem fábrica concluída, a Lecar passou a ofertar veículos por meio de um sistema chamado “compra programada”. Nesse formato, os clientes aderem a planos de pagamento de quatro a seis anos, sem juros, com a promessa de receber o automóvel na metade do período contratado.

A análise do Ministério da Fazenda destaca, no entanto, que a empresa não tem autorização para operar esse tipo de modalidade. O documento também afirma que a estrutura do negócio reúne características frequentemente associadas a esquemas de pirâmide financeira.

Entre os pontos observados estão a cobrança de taxa de adesão para quem deseja atuar como revendedor, ou seja, a necessidade de pagar para ingressar na atividade, a oferta de um produto que ainda não foi validado, o uso de estratégias que estimulam decisões rápidas por parte dos consumidores e a dependência da entrada de novos participantes para sustentar o fluxo financeiro.

O relatório ainda chama atenção para promessas de retorno elevado sem investimento proporcional ou atividade produtiva concreta, prática considerada incompatível com operações regulares de mercado e frequentemente relacionada a fraudes.

A manifestação da área técnica foi motivada por uma apuração em andamento no Ministério Público Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo a empresa. A análise aponta indícios de duas frentes de problemas: um modelo com funcionamento semelhante ao de pirâmide financeira e possíveis falhas na transparência das informações apresentadas ao público, o que pode configurar violação às normas de defesa do consumidor.

Criada em 2022, a Lecar surgiu com a proposta de se tornar referência global em veículos eletrificados. A estratégia de comunicação da empresa faz referências claras à trajetória da Tesla, destacando a história de seu fundador, que teria desmontado um carro elétrico para entender sua tecnologia.

Ao longo do tempo, o projeto passou por mudanças relevantes. A ideia inicial de produzir veículos totalmente elétricos foi substituída pelo foco em modelos híbridos. Também houve alteração na localização da futura fábrica, hoje prevista para o município de Sooretama, no Espírito Santo.

O plano industrial atual prevê investimento de cerca de R$ 870 milhões, com uma planta de até 440 mil metros quadrados e capacidade estimada de produção anual de 120 mil veículos a partir do segundo semestre de 2027.

Em resposta às suspeitas, Flávio Assis afirmou que o modelo de negócios não configura pirâmide financeira. Segundo ele, a comunicação da empresa é transparente e não há uso de estratégias de escassez ou urgência para atrair clientes.

O empresário reconheceu que o projeto ainda está em fase de desenvolvimento, sem veículo homologado ou fábrica em operação, mas sustentou que isso é informado ao público. Ele explicou que o plano prevê que parte significativa do valor pago pelos clientes seja destinada à futura entrega dos veículos e que o aumento da base de consumidores amplia a capacidade financeira da empresa.

Assis não detalhou quantas unidades já foram comercializadas nem o tamanho da equipe executiva. Também afirmou que há apoio de consumidores que acreditam na proposta de fortalecer a indústria automotiva nacional.

Sobre a construção da fábrica, ele admitiu atrasos, mas disse que o projeto segue em andamento e que há expectativa de avanço nas próximas etapas.

*Com informações de Metrópoles 

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