A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou nesta quarta-feira (17) as explicações exigidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a pistola Glock 9mm apreendida no início da semana no Distrito Federal. O documento revela um cenário de tensão envolvendo a saúde mental do político e as precauções tomadas por sua equipe.
Segundo os advogados, a arma foi deliberadamente inutilizada pela própria equipe de segurança de Bolsonaro, sem o conhecimento prévio dele. O motivo seriam os riscos associados às medicações psiquiátricas que o ex-presidente tem consumido enquanto cumpre prisão domiciliar.
“[…] as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, detalhou a defesa no documento enviado ao STF.
O episódio da tornozeleira eletrônica citado pelos advogados ocorreu em novembro de 2025. Na ocasião, Bolsonaro tentou violar o equipamento de monitoramento usando um ferro de solda, alegando sofrer de alucinações e “certa paranoia” decorrentes do uso de remédios.
A tentativa de conserto e a apreensão
A defesa argumenta que a apreensão só ocorreu devido a um mal-entendido mecânico.
- O Teste: Sem saber que o percussor (peça que atinge a munição) havia sido removido, Bolsonaro manipulou a arma e testou o disparo “a seco”, constatando que o mecanismo não funcionava.
- O Pedido de Conserto: Acreditando tratar-se de um defeito, o ex-presidente pediu a Estácio Leite da Silva Filho, um militar do Exército cedido à Casa Civil para sua segurança, que levasse a pistola para manutenção.
- A Blitz: A arma, registrada regularmente no nome do ex-presidente, foi apreendida na madrugada de segunda-feira (15) em uma blitz da Polícia Militar na DF-001, em Taguatinga. Apesar de legal, o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo com o militar.
A defesa informou a Moraes que a única finalidade do transporte era buscar auxílio técnico para a arma e ressaltou que, dadas as atuais circunstâncias, Bolsonaro não tem interesse na restituição do armamento enquanto estiver em prisão domiciliar.
O que dizem as instituições
Bolsonaro cumpre atualmente uma pena total de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está sob regime de prisão domiciliar humanitária (concedida inicialmente por 90 dias) para recuperação de uma broncopneumonia.
Em nota, a Polícia Militar do DF (PMDF) confirmou que o militar do Exército foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após a segunda arma (além da institucional) ser encontrada no carro oficial sem a devida documentação de transporte. O militar prestou depoimento relatando a ida ao conserto e foi liberado.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também se manifestou. O órgão esclareceu que não é o responsável operacional pela segurança de ex-presidentes. Por lei, os servidores à disposição de ex-chefes do Executivo são de livre indicação pessoal deles próprios e não estão subordinados à cadeia de comando do GSI, cabendo ao órgão apenas a capacitação desses agentes.