O julgamento do caso Henry Borel, um dos crimes de maior repercussão do país nos últimos anos, continua nesta terça-feira (26) no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio de Janeiro. A expectativa é de que sejam ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina, responsáveis pela investigação, além do médico-legista Luiz Airton e do perito Luiz Carlos Leal Prestes.
As testemunhas devem abordar pontos considerados fundamentais para o desfecho do julgamento, principalmente relacionados à causa da morte de Henry, à dinâmica das agressões sofridas pela criança e à atuação dos réus antes e depois do crime.
No primeiro dia do júri, a defesa do ex-vereador Dr. Jairinho apresentou uma série de questionamentos na tentativa de invalidar provas do processo. Ao todo, foram levantadas 23 alegações de nulidade, todas rejeitadas pela juíza Elizabeth Machado Louro.
A previsão é de que novas testemunhas também sejam ouvidas nos próximos dias, à medida que o julgamento avança.
O caso
Henry Borel tinha quatro anos quando morreu no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, Dr. Jairinho, na zona oeste do Rio. Na ocasião, o casal levou a criança ao hospital alegando um acidente doméstico. No entanto, o laudo da necropsia apontou hemorragia interna causada por laceração hepática provocada por agressões. O exame também identificou 23 lesões pelo corpo do menino.
Atualizações
O julgamento do caso Henry Borel foi retomado nesta semana no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, cinco anos após a morte do menino de 4 anos que chocou o país. Os réus Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros, mãe da criança, respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação.
A sessão teve início após uma nova tentativa de adiamento por parte da defesa de Jairinho. O ex-vereador chegou a pedir a destituição de seus advogados depois que o principal defensor sofreu um infarto dias antes do julgamento. No entanto, a estratégia foi revertida e o júri foi mantido pela Justiça.
Nesta terça-feira (26), o Tribunal ouviu depoimentos de testemunhas de acusação, incluindo delegados responsáveis pela investigação da morte de Henry e o médico-legista que participou da perícia do caso. Segundo o Ministério Público, os laudos apontam que as lesões sofridas pela criança são incompatíveis com a versão apresentada pelo casal, que alegava um acidente doméstico.
A investigação concluiu que Henry sofreu múltiplas agressões antes de morrer, em março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Um laudo pericial anexado ao processo neste ano reforçou a tese de espancamento e descartou qualquer hipótese de queda acidental.
O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri do Fórum Central do Rio de Janeiro e deve seguir pelos próximos dias, com expectativa de interrogatório dos réus e apresentação das alegações finais da acusação e da defesa. Ao final, sete jurados serão responsáveis por decidir se Jairinho e Monique serão condenados ou absolvidos.
Reportagem: Bruno Silva – São Paulo