O estado de São Paulo enfrenta um cenário alarmante no combate à violência de gênero. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que os casos de feminicídio cresceram mais de 30% entre janeiro e abril de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o levantamento, 107 mulheres foram assassinadas por razões de gênero nos quatro primeiros meses deste ano. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 82 casos. O aumento foi de 30,49%, consolidando uma das maiores altas dos últimos anos.
O avanço dos números ocorre após o estado já ter registrado recorde histórico no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, foram contabilizados 86 feminicídios, o maior volume para o período desde o início da série histórica, iniciada em 2018. O crescimento foi de 41% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Março teve recorde histórico
Os dados mostram que março foi o mês mais violento para mulheres desde o início dos registros oficiais.
Somente naquele mês, foram contabilizados 30 feminicídios em todo o estado, número que representa aumento de 58% na comparação com março de 2025. O resultado colocou o mês como o mais letal da série histórica para esse tipo de crime.
Já em abril, os números permaneceram elevados. Foram 21 casos registrados, patamar semelhante ao mesmo mês do ano passado, quando houve 20 ocorrências. Ainda assim, o acumulado do quadrimestre permaneceu em forte crescimento devido às altas registradas nos meses anteriores.
Violência contra mulheres cresce em diferentes indicadores
Além do aumento dos feminicídios, outros indicadores relacionados à violência contra mulheres também apresentaram crescimento.
As ocorrências de lesão corporal dolosa — agressões físicas cometidas com intenção de ferir — chegaram a 19.249 registros entre janeiro e março, alta de 7,4% em relação ao mesmo período de 2025. Trata-se do maior número já registrado para um primeiro trimestre desde 2018.
Os dados também apontam avanço nos casos de violência doméstica, que cresceram 14,3% no início do ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
Já os registros de estupro apresentaram aumento expressivo em abril. Em todo o estado, os casos passaram de 251 para 327 ocorrências na comparação com o mesmo mês de 2025, crescimento de 30,28%. Na capital paulista, a alta foi ainda maior, chegando a 54,39%.
Casos de grande repercussão marcaram o ano
Entre os episódios que mais chamaram atenção está o assassinato da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.
A policial foi morta em fevereiro, na região do Brás, no centro da capital paulista. O principal acusado é o próprio marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que foi denunciado pelo Ministério Público, tornou-se réu e responderá pelo crime na Justiça comum. O caso gerou forte repercussão e reacendeu debates sobre violência doméstica e feminicídio no estado.
Governo reforça ações de combate
Diante do avanço dos números, a Secretaria da Segurança Pública afirma que o enfrentamento à violência contra mulheres segue como prioridade.
Atualmente, São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 173 Salas DDM para atendimento especializado. O governo também anunciou reforço de mais de 650 policiais voltados para ações de proteção às mulheres e a criação de novas estruturas de acolhimento e denúncia.
Além disso, operações específicas para responsabilização de agressores vêm sendo intensificadas. Uma delas é a Operação Damas de Ferro, que já resultou em milhares de prisões relacionadas a crimes praticados contra mulheres.
Especialistas alertam que os números mostram que o feminicídio continua sendo um dos principais desafios da segurança pública brasileira e reforçam a necessidade de ampliar políticas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas antes que a violência alcance níveis irreversíveis.