Em meio ao aumento dos casos de influenza no Brasil e à pressão sobre unidades de saúde durante a temporada de circulação dos vírus respiratórios, especialistas reforçam a importância do uso precoce do antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu.
De acordo com estudos e avaliações médicas, o medicamento pode reduzir em até 52% o risco de hospitalizações relacionadas à influenza quando administrado rapidamente após o início dos sintomas. A recomendação é que o tratamento seja iniciado, preferencialmente, nas primeiras 48 horas.
O antiviral é utilizado para combater os vírus Influenza A e Influenza B, responsáveis pelos principais surtos de gripe registrados no país. Além de diminuir o risco de internações, o medicamento também pode reduzir complicações respiratórias e a evolução para quadros graves da doença.
Segundo especialistas, entre os benefícios observados estão:
- redução de aproximadamente um dia na duração dos sintomas;
- diminuição de 40% a 50% das complicações leves em adultos;
- redução de 28% das complicações em grupos de risco;
- queda de até 52% nas hospitalizações;
- redução de cerca de 18% na mortalidade entre idosos.
Tratamento rápido faz diferença
Infectologistas alertam que o principal fator para a eficácia do medicamento é o início precoce da medicação.
A orientação é que o antiviral seja administrado logo após o aparecimento dos sintomas, sem necessidade de aguardar exames laboratoriais em pacientes considerados de risco ou com suspeita de evolução para formas graves da doença.
O Ministério da Saúde recomenda o uso do oseltamivir para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e para pessoas que apresentam fatores de risco para complicações, como idosos, gestantes, crianças pequenas, imunossuprimidos e portadores de doenças crônicas.
Mesmo quando o tratamento é iniciado após as primeiras 48 horas, especialistas afirmam que ele ainda pode trazer benefícios em situações de maior gravidade.
Casos de gripe preocupam autoridades
O alerta ocorre em um momento de aumento dos casos de influenza no país.
Dados do governo federal apontam que, somente até abril deste ano, o Brasil já havia registrado cerca de 5,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave causada por influenza, além de mais de 350 mortes relacionadas à doença.
Diante do cenário, autoridades de saúde também reforçam a necessidade da vacinação anual contra a gripe, considerada a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos provocados pelo vírus.
Medicamento está disponível no SUS
O oseltamivir é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes que possuem indicação médica.
O medicamento pode ser prescrito tanto por profissionais da rede pública quanto da rede privada e é distribuído em unidades de saúde credenciadas em todo o país.
Especialistas reforçam que a automedicação não é recomendada e que o uso do antiviral deve ocorrer sempre com orientação médica, já que nem todos os quadros gripais são provocados pelo vírus influenza.