Agro brasileiro na mira dos EUA: relatório propõe sobretaxa de 25% e culpa desmatamento ilegal

Documento do Escritório Comercial norte-americano sugere que falhas na fiscalização da Amazônia barateiam custos de produção da carne, soja e milho do Brasil. Isenções incluem produtos de áreas regulares e suco de laranja.
Redação NC News
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O agronegócio nacional assumiu o centro das tensões diplomáticas e comerciais com Washington. O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu sua investigação sobre as políticas do Brasil e formalizou a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

Para o governo dos EUA, o Brasil pratica concorrência desleal ao falhar historicamente no combate ao desmatamento ilegal, especialmente na Amazônia. A interpretação americana é de que a falta de rigor na fiscalização ambiental cria uma vantagem indevida no mercado global, barateando artificialmente os custos de produção da carne bovina, da soja e do milho que são exportados.

O que pode ser taxado e quais são as exceções

A proposta não é uma punição generalizada, mas um ataque cirúrgico. Conforme as análises de especialistas em comércio exterior, o mercado norte-americano dividiu os produtos do Brasil em categorias de risco.

A sobretaxa de 25% tem como alvo principal as commodities agrícolas e os produtos de madeira cuja origem esteja associada a áreas de desmatamento. Além do agro, a tarifa também abrange o etanol, o setor automotivo, máquinas e medicamentos.

Por outro lado, o relatório estabeleceu uma lista de exceções cruciais para aliviar o impacto na balança comercial e garantir o abastecimento interno dos EUA:

Ficam isentos da nova tarifa as carnes e os grãos produzidos em áreas comprovadamente regulares.

Alimentos em geral, suco de laranja e celulose também escapam da sanção.

Fertilizantes e insumos industriais vitais para as fábricas americanas não serão sobretaxados.

Aeronaves, peças de aviação, aço e alumínio continuam fora dessa taxação (embora aço e alumínio já sejam regulados pela Seção 232).

O contexto da investigação e outras queixas

A proposta tarifária é o resultado de um processo baseado na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instaurado em julho de 2025 por ordem do presidente Donald Trump. Esse mecanismo é acionado quando os EUA consideram que um país adota práticas “injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias”.

O desmatamento não é a única justificativa. O relatório compila queixas de múltiplos setores, acusando o Brasil de:

Impor barreiras a empresas de tecnologia dos EUA, citando a emissão de “ordens secretas” judiciais para remoção de conteúdos políticos de redes sociais.

Conceder tratamento preferencial ao sistema Pix, prejudicando empresas americanas de pagamentos eletrônicos.

Quebrar o acordo de reciprocidade tarifária do etanol, firmado em 2017.

Apresentar lentidão na aprovação de patentes e falhas na adoção de leis anticorrupção.

Próximos passos e possível retaliação

A taxação de 25% ainda é uma sugestão administrativa e não entrou em vigor. O USTR abrirá um período de consulta pública para que o setor privado se manifeste e agendou uma audiência para o dia 6 de julho.

A decisão final deverá ser tomada impreterivelmente até 15 de julho de 2026. Analistas comerciais alertam que o documento possui falhas técnicas em suas avaliações ambientais e que o Brasil poderá acionar medidas de retaliação recíproca caso as negociações fracassem nos próximos 30 dias.

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