Jairinho e a mãe do menino, Monique Medeiros, são réus no caso. Segundo a acusação do Ministério Público, o ex-vereador foi responsável pelas agressões que provocaram a morte da criança, enquanto Monique teria se omitido diante das violências sofridas pelo filho. Ambos negam as acusações.
O julgamento já entrou para a história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro como o mais longo já realizado no estado, superando o processo que condenou a ex-deputada federal Flordelis pela morte do pastor Anderson do Carmo.
Peritos reforçaram versão da acusação
Nos últimos dias, o júri ouviu uma série de testemunhas de defesa e acusação. Entre elas esteve o perito Leonardo Huber Tauil, responsável pelo laudo cadavérico de Henry no Instituto Médico Legal (IML).
Durante seu depoimento, Tauil reafirmou a conclusão de que a morte da criança ocorreu em decorrência de uma hemorragia interna causada por lesão hepática provocada por ação contundente. O perito também declarou que, após vistoriar o apartamento onde Henry morava com a mãe e o padrasto, não encontrou móveis ou objetos que pudessem justificar a versão inicial apresentada pelo casal, de que o menino teria sofrido uma queda acidental da cama.
Questionado sobre inconsistências apontadas pela defesa no laudo, como informações incorretas sobre o hospital de origem do corpo e a descrição da cor dos olhos da vítima, o especialista classificou os erros como lapsos sem impacto nas conclusões periciais.
Defesa apresentou testemunhas
Antes do início do depoimento de Jairinho, o júri ouviu testemunhas indicadas pelas defesas. Entre elas, o irmão de Monique Medeiros, Bryan Medeiros da Costa Silva, que descreveu a ré como uma mãe dedicada e afirmou que a família nunca suspeitou que Jairinho pudesse cometer agressões contra Henry.
Ao todo, 27 testemunhas foram inicialmente arroladas para o julgamento, embora algumas tenham sido dispensadas ao longo da sessão.
Caso teve repercussão nacional
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos. A investigação concluiu que a criança apresentava diversas lesões compatíveis com agressões físicas e descartou a hipótese de acidente doméstico. O caso gerou forte comoção em todo o país e levou à criação da Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
Com o depoimento de Jairinho em andamento, a expectativa é que o julgamento caminhe para sua fase final, quando acusação e defesa apresentarão os debates antes da decisão dos jurados.