A Justiça de São Paulo condenou o motorista e a monitora da van escolar envolvidos na morte de um menino de 2 anos que foi esquecido dentro do veículo durante um dia de calor extremo na capital paulista. A criança permaneceu presa na van por várias horas, até ser encontrada desacordada. O caso aconteceu em novembro de 2023, quando a cidade registrava temperaturas superiores a 37°C, e provocou forte comoção em todo o país.
A sentença foi proferida nesta quinta-feira (23) e responsabiliza os dois profissionais pela morte da criança. A decisão ainda pode ser alvo de recursos.
O que aconteceu naquele dia?
Segundo as investigações, o menino foi buscado em casa pela manhã para ser levado à escola, mas acabou sendo esquecido dentro da van escolar após o desembarque das demais crianças. O veículo permaneceu estacionado durante boa parte do dia, enquanto a vítima ficou presa em seu interior sob forte calor.
A ausência da criança só foi percebida no período da tarde, quando o motorista se preparava para iniciar a rota de volta. Ao retornar ao veículo, encontrou o menino inconsciente. Ele ainda foi levado ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, mas já chegou sem vida.
Julgamento apontou responsabilidade dos acusados
Durante o processo, a acusação sustentou que houve grave negligência por parte do motorista e da monitora, responsáveis por conferir se todas as crianças haviam desembarcado do veículo.
A Justiça concluiu que ambos tinham o dever de cuidado e falharam ao deixar de verificar o interior da van antes de encerraram o trajeto, o que resultou na morte da criança.
As defesas ainda podem recorrer da decisão dentro dos prazos previstos pela legislação.
Caso provocou mudanças e reforçou alerta no transporte escolar
Após a tragédia, o caso reacendeu o debate sobre os protocolos de segurança adotados no transporte escolar, principalmente em relação à conferência obrigatória dos alunos antes que os veículos sejam estacionados.
Especialistas em segurança infantil defendem que motoristas e monitores realizem uma vistoria completa no interior da van ao fim de cada trajeto, independentemente do número de crianças transportadas. Medidas como listas de presença, dupla conferência e sistemas eletrônicos de alerta também passaram a ganhar espaço nas discussões sobre prevenção.
Por que o calor torna esse tipo de situação ainda mais perigosa?
Mesmo com as janelas parcialmente abertas, a temperatura dentro de um veículo fechado pode subir rapidamente e ultrapassar em poucos minutos os níveis registrados no ambiente externo.
Em crianças pequenas, o organismo aquece mais rapidamente do que o de um adulto, aumentando significativamente o risco de hipertermia, desidratação e falência de órgãos. Em dias de calor intenso, como o registrado na data da tragédia, o risco de morte cresce de forma acelerada.
Entenda o contexto
A morte do menino de 2 anos ocorreu em novembro de 2023, durante uma intensa onda de calor que atingiu São Paulo. O caso gerou grande repercussão nacional e levou à prisão em flagrante do motorista e da monitora da van escolar.
Quase três anos depois, a Justiça concluiu o julgamento em primeira instância e reconheceu a responsabilidade dos dois profissionais pela morte da criança. A decisão representa mais um capítulo de um caso que marcou o debate sobre segurança no transporte escolar e reforçou a necessidade de protocolos mais rígidos para evitar que tragédias semelhantes se repitam.