Projetando o cenário para a próxima legislatura, que poderá nomear até quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Flávio Bolsonaro abordou os critérios que nortearão suas escolhas caso assuma o Planalto.
Em depoimento dado nesta quarta-feira, 3, em entrevista a um jornal em Belo Horizonte, o parlamentar criticou a indicação de perfis alinhados ao governo petista e alertou o setor produtivo para a insegurança jurídica.
Para o senador, a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao indicar Flávio Dino e Cristiano Zanin revela um aparelhamento da Corte. Flávio acusa o governo de alocar “amigos ideológicos” para promover retaliações políticas.
Nesse contexto, ele defende que o perfil ideal para o STF deve unir notório saber jurídico a convicções conservadoras, barrando o ativismo judicial em pautas polarizadoras, como a descriminalização de drogas e o aborto.
Durante a sabatina na capital mineira, Flávio conectou a instabilidade do Judiciário à retração de capitais. Ao citar decisões que considera monocráticas, como as disputas tributárias envolvendo o IOF , o parlamentar argumentou que juízes não podem “governar com a caneta” no lugar dos deputados e senadores eleitos. Para os agentes econômicos, essa interferência gera um ambiente de negócios imprevisível e hostil.
A promessa de indicar ministros que garantam previsibilidade funciona como apelo ao setor produtivo. A reestruturação da Corte emerge não apenas como sobrevivência da oposição, mas como alicerce para resgatar a confiança do mercado e atrair investimentos ao país.