A produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de novas acusações envolvendo supostos calotes milionários. Profissionais contratados para atuar no projeto e empresas prestadoras de serviço afirmam ter ficado sem receber valores que, somados, ultrapassariam R$ 5 milhões.
As reclamações envolvem diferentes etapas da produção e incluem cobranças por locação de equipamentos, serviços técnicos, hospedagem, alimentação e pagamentos de profissionais que participaram das filmagens. Parte das cobranças já chegou ao Judiciário por meio de ações movidas por credores que alegam não terem recebido pelos serviços prestados.
Um dos casos que ganhou destaque envolve uma empresa que reivindica cerca de R$ 5 mil referentes à locação de espaço utilizado durante as gravações. Segundo documentos apresentados à Justiça, o valor permanece em aberto mesmo após diversas tentativas de cobrança.
As acusações surgem em um momento delicado para a Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem. A empresa já vinha sendo alvo de questionamentos após revelações sobre o financiamento da obra e sobre a participação de investidores ligados ao mercado financeiro.
A produção de “Dark Horse” foi anunciada como uma das maiores cinebiografias já realizadas no país, contando com elenco internacional e orçamento estimado em dezenas de milhões de reais. Informações divulgadas anteriormente apontam que o projeto teria recebido ao menos R$ 61 milhões para sua realização.
Apesar da dimensão do investimento, fornecedores afirmam que enfrentaram dificuldades para receber pelos serviços executados. Alguns relatam que continuaram trabalhando durante as filmagens acreditando que os pagamentos seriam regularizados posteriormente, o que não teria acontecido.
O caso também ganhou repercussão em meio às investigações que envolvem a empresária Karina Ferreira da Gama, ligada tanto à produtora do filme quanto ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é alvo de apurações sobre um contrato milionário firmado com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de internet gratuita em comunidades da capital. As autoridades investigam possíveis irregularidades no acordo e a eventual utilização de recursos em atividades sem relação com o objeto contratado.
As suspeitas motivaram operações policiais e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à empresária e às organizações sob sua gestão. As investigações apuram possíveis fraudes em contratos públicos, pagamentos antecipados sem comprovação integral dos serviços e eventual desvio de recursos.
Até o momento, os responsáveis pela produção têm contestado acusações relacionadas ao financiamento do filme e negado irregularidades apontadas por parte dos credores e das investigações em andamento. Os processos seguem em tramitação e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre os casos.