Ataques registrados em diferentes regiões do Distrito Federal têm aumentado a sensação de insegurança entre moradores. Somente nos últimos sete dias, três ocorrências graves envolvendo pessoas em situação de rua foram registradas, incluindo uma agressão a uma jovem em uma parada de ônibus na Asa Sul.
O caso mais recente ocorreu na segunda-feira (3), quando uma mulher de 21 anos foi atacada pelas costas enquanto seguia para o trabalho. O suspeito foi preso, mas acabou liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
A sequência de episódios reacendeu o debate sobre segurança pública, atendimento à população em situação de rua e reincidência criminal no Distrito Federal.
Jovem foi atacada em parada de ônibus
Segundo a vítima, ela havia acabado de descer do ônibus e caminhava em direção ao escritório onde trabalha quando foi surpreendida pelo agressor.
O homem foi levado para a 5ª Delegacia de Polícia, mas deixou a unidade cerca de duas horas depois, conforme prevê a legislação para esse tipo de ocorrência.
Outros casos aumentam preocupação
Além da agressão na Asa Sul, outros episódios recentes chamaram a atenção das autoridades.
No dia 31 de julho, um homem em situação de rua foi preso suspeito de atear fogo em outro homem durante uma briga na Asa Sul.
Em 28 de julho, um jovem de 18 anos foi agredido com um soco em Águas Claras, tendo os óculos destruídos após o ataque.
Nos últimos meses, outros crimes envolvendo pessoas em situação de rua também foram registrados no Distrito Federal.
Entre eles estão:
- estupro de duas jovens em Sobradinho;
- homicídio em Vicente Pires durante invasão a uma residência;
- esfaqueamento de um policial militar em Ceilândia;
- ataques com faca entre pessoas em situação de rua;
- agressão sexual contra uma mulher na Asa Norte.
Governo aposta em internação involuntária
Em julho, o Governo do Distrito Federal sancionou uma lei que cria novas medidas de acolhimento para pessoas em situação de rua.
Entre elas está a possibilidade de internação involuntária, mas apenas em situações excepcionais, quando houver risco à vida do próprio indivíduo ou de terceiros e mediante avaliação médica.
A legislação determina ainda que o Ministério Público seja comunicado em até 72 horas após cada internação.
MP aponta falta de estrutura
Após a sanção da lei, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) divulgou uma análise técnica apontando problemas na rede de atendimento.
Segundo o órgão, ainda há precariedade na estrutura disponível e insuficiência de profissionais para atender adequadamente essa população.
Segurança reforçada
A Secretaria de Segurança Pública informou que vem intensificando ações de inteligência, reforçando o policiamento ostensivo e ampliando o uso do sistema de monitoramento por câmeras.
Segundo a pasta, a integração de câmeras privadas ao programa DF 360 tem ajudado a ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança.
Já a Secretaria de Desenvolvimento Social afirmou que mantém 26 equipes especializadas em abordagem social e informou que, desde junho de 2024, realizou:
- mais de 4,6 mil abordagens;
- 558 ações de acompanhamento;
- 11 mil atendimentos nos Centros Pop;
- mais de 81 mil acolhimentos nas unidades do Hotel Social.
Liberação de presos preocupa policiais
Outro ponto citado por agentes de segurança é a rápida liberação de suspeitos presos em algumas ocorrências.
Segundo policiais, diversos autores dos ataques possuem antecedentes criminais e acumulam diversas passagens pela polícia, o que alimenta o debate sobre reincidência e medidas judiciais aplicadas nesses casos.
As autoridades continuam investigando as ocorrências mais recentes.
