O anúncio da suspensão temporária da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan gerou apreensão em parte dos brasileiros imunizados neste ano. Para conter o pânico, a diretriz das autoridades de saúde é clara: o momento exige cautela na investigação científica, mas não há motivo para desespero na população.
Nesta terça-feira (9), em entrevista a um jornal, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, buscou tranquilizar as cerca de 500 mil pessoas que já receberam a dose única do imunizante nacional. O estado de alerta ou a tranquilidade do paciente, segundo o médico infectologista, dependem exclusivamente do calendário.
“Quem já tomou a vacina pode ficar absolutamente descansado. Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que ela promete”, garantiu Kallás. A regra de ouro estabelecida pela farmacovigilância é a janela de 21 dias pós-aplicação.
Se a sua imunização ocorreu há mais de três semanas, os riscos de efeitos colaterais estão descartados. O cidadão passa a apenas usufruir da eficácia comprovada pelos estudos clínicos internacionais: 65% de proteção contra a infecção geral e 80% contra o desenvolvimento da dengue grave.
Atenção aos recém-vacinados
O cenário muda levemente para quem recebeu a dose há menos de 21 dias. A orientação do Ministério da Saúde para este grupo é manter a vigilância ativa em casa. O paciente deve procurar imediatamente os postos de saúde caso apresente “sinais de alarme”, como febre, dores abdominais intensas, vômitos persistentes, tontura, extrema sonolência e sangramentos.
A paralisação preventiva da campanha visa justamente entender esses sintomas. Entre o meio milhão de vacinados no país, o sistema de monitoramento registrou 42 casos de reações severas e inesperadas (o equivalente a raros 0,008% do total). Duas mortes (um homem de 58 anos e uma mulher de 48) que evoluíram rapidamente para quadros de dengue grave logo após a vacinação estão sob investigação de um comitê técnico.
Pausa para garantir a segurança
Especialistas e o Ministério da Saúde ressaltam que a suspensão da aplicação não invalida os testes rigorosos realizados pelo Butantan nos últimos cinco anos. A manobra serve para “ganhar tempo”.
O trabalho conjunto com a Anvisa agora visa cruzar dados epidemiológicos para descobrir se as reações graves têm uma causalidade direta com a vacina ou se foram impulsionadas por fatores de risco prévios dos pacientes afetados.
“Baseado nas informações que nós temos até agora, nas avaliações de benefício e risco, a gente está convencido que a vacina tem o seu lugar e é a ferramenta mais poderosa para poder controlar a dengue no Brasil”, defendeu o diretor do Butantan, esperançoso de que as evidências científicas permitam a retomada segura da imunização.
O que diz o Butantan
Confira abaixo a íntegra da nota enviada pelo instituto:/
“O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.
O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.”