O clima é de profunda consternação e revolta entre os frequentadores de um dos clubes mais tradicionais da Zona Oeste de São Paulo. A Polícia Civil do estado investiga uma denúncia grave de estupro de vulnerável contra uma menina de apenas 4 anos. O caso, que aconteceu na tarde da última quarta-feira, veio à tona após o desabafo da mãe e a análise imediata das imagens do circuito interno de segurança do Palmeiras.
De acordo com as investigações, o principal suspeito é um idoso de 74 anos, sócio antigo do clube. Abalada, a família busca respostas e justiça, enquanto o caso choca a opinião pública pela vulnerabilidade da vítima e pelo local onde o crime teria ocorrido — um ambiente teoricamente seguro e voltado para o lazer familiar.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela família, a mãe passava a tarde no clube na companhia dos filhos quando, em um momento de distração que durou poucos minutos, perdeu a menina de vista. Ao procurar pela filha, a criança reapareceu caminhando na direção dos banheiros sociais.
O sinal de alerta acendeu imediatamente quando a mãe perguntou onde a menina estava, e a criança respondeu que aquilo era um “segredo”. Desconfiada e sentindo que algo estava errado, a mãe levou a filha para um espaço reservado e, com muito cuidado, insistiu para saber o que de fato havia acontecido. Foi então que a menina revelou ter entrado no vestiário masculino.
O verdadeiro pesadelo começou a se materializar já em casa, durante o banho da criança. A mãe relatou à polícia que percebeu uma secreção incomum na região íntima da filha. Diante do sinal físico de que algo grave poderia ter acontecido, a mulher conversou novamente com a menina, reuniu os familiares e decidiu procurar as autoridades de forma imediata.
No relato emocionante e doloroso contido no registro policial, a criança de 4 anos conseguiu expressar o trauma que sofreu, afirmando que o homem a levou até o banheiro e tocou em suas partes íntimas. “O vovô colocou a mão lá”, disse a menina, referindo-se ao idoso que ela já conhecia de vista, por ele acompanhar o próprio neto em atividades esportivas no local.
As câmeras do sistema de monitoramento interno do clube se tornaram peças-chave para a Polícia Civil. Os funcionários da segurança da própria instituição revisaram as imagens e confirmaram que a menina de 4 anos realmente acessou o vestiário masculino, permanecendo no interior do local por cerca de 15 segundos — tempo que coincide com o relato da dinâmica do ocorrido.
A menina foi encaminhada pelas autoridades para realizar o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), além de receber atendimento psicológico especializado, procedimento padrão e fundamental para acolher vítimas dessa faixa etária e garantir a produção de provas técnicas.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), o caso começou a ser acompanhado pela 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e foi transferido para a 3ª DDM, unidade que possui a competência territorial da região onde os fatos aconteceram. Até o momento, o suspeito não foi localizado pela polícia para prestar esclarecimentos, e a defesa dele não foi encontrada.
Assim que a gravidade dos fatos foi apresentada, a diretoria do Palmeiras tomou medidas drásticas e imediatas. Em nota oficial, o clube confirmou que foi procurado pela mãe na mesma noite de quarta-feira e deu total suporte para a família. A criança passou por um primeiro acolhimento com o médico de plantão do clube, e o departamento jurídico da instituição acompanhou a mãe até a delegacia para registrar a queixa.
Além do apoio, o clube informou que abriu uma sindicância interna, recolheu todas as imagens das câmeras de segurança e as entregou voluntariamente para os investigadores. Como medida preventiva e de segurança para os demais frequentadores, o sócio de 74 anos foi suspenso por tempo indeterminado e está proibido de frequentar as dependências do local enquanto as investigações prosseguirem.
Segue a nota na íntegra:
“Na noite de quarta-feira (10), uma associada procurou a administração do Palmeiras para relatar um caso de abuso sexual cometido contra sua filha, possivelmente nas dependências do clube social.
Após acolher a mãe e a criança, que foi atendida por um médico do Palmeiras, a administração designou que um dos advogados do clube as acompanhasse até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência.
Prontamente, iniciou-se um trabalho de apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento – inclusive, todo o material já foi separado e enviado à polícia.
Assim que foi informada sobre a ocorrência, a presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis.
O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente esclarecidos.”