Pressão por saída de Jaques Wagner cresce e testa o silêncio de Lula

Diante do avanço da Operação Compliance Zero e do silêncio de Lula, PT escolhe sacrificar o cargo para conter desgaste eleitoral
Redação NC News
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Apurei junto a fontes do PT como fica, neste momento, a situação do senador Jaques Wagner diante do terremoto que atinge Brasília com mais uma fase da Operação Compliance Zero que investiga fraudes ligadas ao Banco Master e que chega ao coração do Governo Lula. Antes de se tornar líder do governo petista no Senado, Wagner foi governador da Bahia e é uma das figuras mais antigas da trajetória do PT, com proximidade histórica ao Presidente. Nos bastidores, ele é apontado como uma das poucas vozes do partido capazes de falar com Lula sem o peso da hierarquia, sem o temor de represália que cerca boa parte do entorno presidencial. Mesmo assim, cresce dentro do Planalto e da bancada petista o debate sobre a permanência de Wagner à frente da liderança no Senado. A avaliação que circula é que o ambiente ficou pesado demais para que ele continue articulando a agenda do governo no Congresso enquanto responde a uma investigação que aponta atuação em temas de interesse direto da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, da regra do crédito consignado ao Fundo Garantidor de Créditos, passando pela tentativa de venda do banco ao BRB. Wagner, por enquanto, resiste. Publicamente, afirma que não vai deixar nem a liderança nem a pré-candidatura à reeleição ao Senado e atribui os valores apreendidos pela PF a diárias recebidas do próprio Senado para viagens internacionais. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, saiu em defesa pública do colega, classificando como prematura qualquer tentativa de pré-condenação. Vale registrar que o próprio Alcolumbre aparece mencionado em denúncias recentes envolvendo recursos do Banco Master, o que ajuda a explicar a cautela com que tem tratado o tema. Postura diferente teve o entorno de Flávio Bolsonaro. Áudios revelados nas últimas semanas mostram o senador e pré-candidato à Presidência tratando diretamente com Vorcaro sobre repasses milionários para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio já cobra preço nas pesquisas eleitorais e expõe a mesma lógica de proximidade entre poder político e o dinheiro do Master, agora do outro lado do espectro partidário. A leitura que fica é pontual. A corrupção não tem bandeira ideológica. Ela aparece tanto no entorno do governo quanto no da oposição, e tende a ganhar novos capítulos à medida que a investigação avança e a corrida eleitoral se acirra. Sobre o silêncio de Lula, dentro do Planalto a interpretação é de que o presidente prefere ganhar tempo. Ele teria contactado Wagner de forma reservada para demonstrar solidariedade e pedir explicações, mas evita qualquer manifestação pública sobre o caso. Esse silêncio funciona como um cálculo. Por um lado pode soar como respaldo, por outro como uma forma de não se comprometer enquanto o quadro não se esclarece. É um padrão de comportamento já conhecido de quem acompanha os três mandatos de Lula à frente do Executivo. Decisões mais delicadas, ele costuma evitar tomar sob pressão imediata, preferindo esperar a poeira baixar para só então agir. Pode não ser a estratégia mais ágil, mas é a que o presidente tem se mostrado mais confortável em adotar neste momento de crise. Fica o registro de que a investigação ainda deve render novos desdobramentos, e cada etapa tende a aprofundar o desconforto dentro do governo e a pressão sobre as campanhas que já se desenham para as eleições deste ano.

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