Renan Santos lança fala ao NC News em Belém, ataca polarização e propõe “revolução econômica”

Em entrevista ao NC News, líder do MBL e fundador do partido Missão critica famílias políticas tradicionais, rejeita alianças obscuras e defende a reindustrialização do Pará.
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O pré-candidato à presidência da República pelo recém-criado partido Missão, Renan Santos, esteve em Belém nesta semana cumprindo agenda estratégica. Em entrevista exclusiva ao programa Povo na TV, do Grupo Norte, o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) apresentou suas propostas, fez duras críticas à polarização política nacional e classificou o atual modelo de exploração econômica do Pará como “colonial”.

Fundado no final do ano passado após a coleta de mais de 3 mil assinaturas conduzida por jovens em todos os estados, o partido Missão debuta no cenário eleitoral com a promessa de romper com as velhas estruturas de poder. Renan, que ganhou notoriedade nacional ao liderar as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, rejeita a atual dicotomia partidária e foca em soluções pragmáticas.

Durante a entrevista, o pré-candidato foi categórico ao afirmar que o Brasil precisa superar a escolha entre Luiz Inácio Lula da Silva e a família Bolsonaro. Ele criticou o atual governo por escândalos de corrupção antigos e recentes (citando o caso do Banco Master), e pontuou que o clã Bolsonaro falhou no combate ao crime organizado, flertando com milícias no Rio de Janeiro ao invés de apresentar projetos reais.

Questionado sobre como governaria no complexo modelo de “presidencialismo de coalizão”, marcado por intensas negociações com o Congresso Nacional, Renan garantiu que não cederá a chantagens da base aliada. “Eu prefiro tomar um impeachment do que ficar me aliando com vagabundão”, declarou, ressaltando que exigirá nomes técnicos e critérios estritamente republicanos de qualquer partido que queira compor seu governo.

O Pará tratado como “colônia”

Com galochas de borracha sujas de lama após gravar vídeos nas palafitas do bairro do Jurunas, periferia de Belém, Renan traçou um diagnóstico rigoroso sobre a realidade do estado. Ele acusou a família Barbalho e a elite política local de extraírem as riquezas naturais da região enquanto mantêm a população em condições de miséria, citando a cidade de Melgaço, no arquipélago do Marajó, como um exemplo trágico de abandono.

Para o pré-candidato, o estado sofre com uma sabotagem constante que impede o desenvolvimento logístico e econômico. Ele saiu em defesa dos produtores rurais e criticou duramente a atuação do ICMBio e de ONGs estrangeiras que, segundo ele, travam o avanço de hidrovias e polos logísticos fundamentais, como os da região de Santarém.

Propostas e impactos esperados

A plataforma do partido Missão para a região Norte e para o Brasil tem como foco o choque de gestão e a tolerância zero com o crime. Entre as regras e consequências defendidas pelo candidato, destacam-se:

  • Lei de Responsabilidade Gerencial: Imposição de regras de autogestão rigorosas para os municípios, visando aumentar a atividade econômica local e diminuir a dependência do eleitorado, dificultando a compra de votos.
  • Zona Econômica Especial de Mineração: Proibição velada à exportação exclusiva de minério bruto no Pará. A regra exige que o beneficiamento (como o de terras raras) ocorra no estado, gerando empregos diretos e qualificados.
  • Revolução Logística e Fim da “Sabotagem”: Aceleração de obras de estradas, ferrovias e hidrovias no Norte, blindando o setor produtivo contra interferências desproporcionais de entidades estrangeiras.
  • Tolerância zero ao crime organizado: Alteração profunda na legislação penal para combater facções criminosas (como o Comando Vermelho, citado por ele no Jurunas). A consequência prometida é a retomada total dos territórios periféricos pelo Estado.
  • Corte agressivo de custos: Redução das despesas governamentais para forçar a queda na taxa de juros e nos impostos, com foco urgente em baratear o custo da energia elétrica (que afeta diretamente a indústria paraense).

Para Renan Santos, essas diretrizes formam a base necessária para transformar o Brasil em um ambiente de negócios próspero, tornando o país “amigo de quem trabalha e inimigo de uma elite vagabunda”.

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