Empinar pipas é uma brincadeira que atravessa gerações e faz parte da infância de milhares de crianças no Pará. Mas, quando realizada perto da rede elétrica, a diversão pode terminar em acidentes graves, além de provocar interrupções no fornecimento de energia para milhares de pessoas.
Para chamar a atenção de crianças e adolescentes para esses riscos, o Projeto Pipas realiza, a partir desta segunda-feira (10), uma série de ações educativas em escolas públicas de Belém, Barcarena, Altamira e Marabá. A programação inclui oficinas, gincanas, apresentações de teatro de bonecos, atividades interativas e orientações sobre segurança elétrica.
A iniciativa ocorre justamente em um período de maior prática da brincadeira no estado e busca ensinar os estudantes a identificar locais seguros para empinar pipas, além de alertar sobre os perigos de fios, postes, subestações, cerol e linha chilena.
O projeto tem patrocínio da Equatorial Pará e é realizado pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA), por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura – Semear, do Governo do Estado do Pará.
Além dos cuidados específicos com as pipas, as atividades também abordam situações de segurança envolvendo o uso da energia elétrica dentro de casa. A proposta é que os estudantes levem as informações para familiares, amigos e moradores das comunidades onde vivem.
Quase mil interrupções foram provocadas por pipas
Os números mostram a dimensão do problema. Entre janeiro e abril, a Equatorial Pará registrou 994 interrupções no fornecimento de energia provocadas por pipas que atingiram a rede elétrica em todo o estado.
O volume equivale a aproximadamente oito ocorrências por dia e representa um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
Quando uma pipa ou sua linha entra em contato com a fiação, pode provocar curtos-circuitos e desligamentos que atingem residências, estabelecimentos comerciais, escolas, unidades de saúde e outros serviços essenciais.
Além do risco de interrupção, existe o perigo de choque elétrico para quem tenta retirar uma pipa presa nos fios.
“Se a linha ou a pipa tocar na rede elétrica, podem ocorrer curtos-circuitos e desligamentos que afetam milhares de pessoas. Além disso, tentar retirar uma pipa presa na fiação é extremamente perigoso e pode causar acidentes graves. A orientação é que a brincadeira aconteça apenas em locais abertos e afastados da rede elétrica e, se houver um incidente em que a linha enrosque na fiação, o comportamento adequado é acionar a distribuidora e se afastar imediatamente do local”, alerta Elton Lucena, executivo de Segurança da Equatorial.
A orientação é não utilizar varas, barras metálicas ou qualquer outro objeto para tentar recuperar a pipa. Caso ela fique presa na rede, a pessoa deve se afastar e acionar a distribuidora de energia.

Projeto já conscientizou cerca de 8 mil crianças
O Projeto Pipas já realizou ações semelhantes no Pará. Nas edições de 2024 e 2025, cerca de 8 mil crianças foram alcançadas pelas atividades de conscientização.
A programação procura transformar as orientações de segurança em experiências práticas e acessíveis para os estudantes. Nas oficinas, por exemplo, as crianças aprendem sobre materiais adequados para a confecção das pipas e sobre os locais apropriados para brincar.
As gincanas e apresentações de teatro de bonecos também simulam situações do cotidiano e mostram como atitudes aparentemente simples podem evitar acidentes.
Entre as principais recomendações está a escolha de espaços abertos e distantes da rede elétrica. O projeto também alerta para os perigos do cerol e da linha chilena, que podem provocar acidentes graves com pedestres, ciclistas e motociclistas.
Outra orientação é não empinar pipas durante chuvas ou tempestades e evitar áreas próximas a postes, subestações e cabos elétricos.
Para Liane Gaby, presidente do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã, a proposta é usar uma tradição da infância como instrumento de prevenção.
“Empinar pipas faz parte da infância de muitas crianças paraenses, mas a diversão precisa acontecer com responsabilidade. Por meio das oficinas, gincanas e apresentações, conseguimos transmitir informações importantes de maneira leve e participativa. Nosso objetivo é fazer com que os estudantes compreendam os riscos, adotem comportamentos seguros e se tornem multiplicadores desse conhecimento em suas famílias e comunidades”, afirma.
Aprendizado com brincadeiras
A estratégia do projeto é justamente aproximar o tema da realidade dos estudantes. Em vez de limitar as orientações a palestras, as equipes utilizam atividades lúdicas para mostrar os riscos e ensinar como evitá-los.
A ideia é que as próprias crianças se tornem multiplicadoras das informações, levando para dentro de casa o conhecimento adquirido nas escolas.

Com isso, o projeto busca atuar não apenas na prevenção de acidentes, mas também na redução das interrupções provocadas por pipas na rede elétrica.
Programação passa por quatro municípios
A programação começa por Belém e segue para Barcarena, Altamira e Marabá.
Belém
10 de agosto
EEEF Dr. Carlos Guimarães
Passagem K 4, Conjunto Cohab, bairro Marambaia
Horário: 7h45 às 9h30
EEIF Professora Leonor Nogueira
Rua Cafezal, esquina com Rua Santarém, bairro Médici
Horário: 15h45 às 17h45
11 de agosto
EEEIF Ruy Paranatinga Barata
Avenida dos Tucanos, Paraíso dos Pássaros, bairro Maracangalha
Horário: 9h30 às 11h30
Barcarena
13 de agosto
EMEF Agrícola de Barcarena
Ramal São João do Aicaraú, zona rural
Horário: 9h às 11h
EMEF Arapari
Porto do Arapari
Horário: 14h às 16h
14 de agosto
EMEIF Antônio Clarindo Magno Júnior
Rodovia PA-483, km 10, Comunidade Vai-Quem-Quer
Horário: 9h às 11h
Altamira
17 de agosto
EMEIF Rui Barbosa
RUC Laranjeiras, bairro Ibiza
Horário: 9h às 11h
EMEF Raimunda Rodrigues Mota
Bairro Bonanza
Horário: 14h às 16h
18 de agosto
Escola José Edson Burlamaqui de Miranda
Travessa da Concórdia, bairro Boa Esperança
Horário: 9h às 11h
Marabá
20 de agosto
EMEFTI Professor Mário Antônio Alves da Silva
Nova Marabá
Horário: 9h às 11h
21 de agosto
EMEF Marilene Cirqueira Rodrigues
Nossa Senhora Aparecida
Horário: 9h às 11h
EMEF Tio Ming
Km 7, Nova Marabá
Horário: 14h às 16h
Projeto será ampliado para outros estados
Depois de alcançar milhares de estudantes no Pará, o Projeto Pipas terá uma expansão inédita em 2026.
Pela primeira vez, a iniciativa também será realizada fora do estado, com atividades previstas em escolas públicas e privadas do Maranhão, Piauí e Goiás.
A programação nos quatro estados será desenvolvida durante agosto e setembro. A expansão pretende levar as orientações sobre segurança elétrica a um número maior de crianças e adolescentes, especialmente em regiões onde a prática de empinar pipas também provoca ocorrências na rede de distribuição.
A expectativa é que a campanha transforme uma brincadeira tradicional em uma oportunidade de prevenção. Afinal, o céu pode continuar colorido — desde que os fios fiquem longe da brincadeira.
Entenda o contexto
O contato de pipas e linhas com a rede elétrica pode provocar curtos-circuitos, desligamentos e acidentes graves. No Pará, foram registradas 994 interrupções de energia causadas por pipas entre janeiro e abril de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A recomendação é empinar pipas somente em locais abertos e afastados de postes, fios, subestações e outros equipamentos elétricos. Também não se deve utilizar cerol ou linha chilena.
Se a pipa ficar presa na fiação, não tente retirá-la. Varas, barras metálicas e outros objetos podem conduzir eletricidade e provocar choques. O procedimento seguro é se afastar do local e acionar a distribuidora.
O Projeto Pipas atua justamente na prevenção, levando essas orientações diretamente às escolas e buscando transformar crianças e adolescentes em agentes de conscientização dentro de suas próprias comunidades.