Vídeo aponta herdeiro do Grupo Coelho Diniz, de Minas Gerais, como suposto mandante de triplo homicídio no Amazonas

Lucas Pessoa dos Santos afirmou em depoimento à Polícia Civil que Moisés Diniz teria encomendado a execução de três agricultores no sul do Amazonas. Em audiência de custódia, o investigado mudou a versão e alegou ter sido pressionado por policiais. O empresário não é denunciado no caso, e a investigação segue em andamento.
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Por Elias Pedroza e Gabriel Abreu 

O triplo assassinato dos agricultores Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos, Antônio Renato Vieira de Souza, de 32, e Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos, ganhou novos desdobramentos após um dos presos pelo crime apontar, em depoimento à Polícia Civil do Amazonas, o nome do empresário Moisés Diniz como suposto mandante da execução.

A declaração foi registrada em vídeo na sede do 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em Lábrea (AM). Nas imagens, Lucas Pessoa dos Santos, de 26 anos, afirma aos policiais que o crime teria sido encomendado por Moisés Diniz.

A citação do empresário elevou a repercussão do caso ao atingir uma família com forte influência no setor supermercadista. Moisés Diniz é filho de Alex Sandro Coelho Diniz, integrante do Grupo Coelho Diniz, uma das maiores redes de supermercados de Minas Gerais. A família também está entre os principais acionistas do Grupo Pão de Açúcar (GPA), detendo cerca de 24,9% das ações ordinárias da empresa.

Apesar da acusação feita inicialmente, Lucas mudou a versão durante a audiência de custódia. Na ocasião, afirmou que teria sido pressionado por policiais para indicar um suposto mandante do crime. A investigação continua em andamento e, até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual do Amazonas (MP-AM) nem decisão judicial que vincule formalmente Moisés Diniz aos homicídios.

Relembre o caso

O crime ocorreu em abril deste ano, em uma estrada vicinal que liga ao Projeto de Assentamento (PA) Monte, localizado entre os municípios de Lábrea e Boca do Acre, no sul do Amazonas.

Segundo as investigações, as vítimas seguiam em uma caminhonete quando foram surpreendidas por criminosos armados com fuzil e pistolas. Após a sequência de disparos, o motorista perdeu o controle da direção e o veículo caiu em um igarapé.

Um dos ocupantes conseguiu escapar da emboscada e correu até uma residência próxima para pedir ajuda. Horas depois, equipes de resgate localizaram a caminhonete submersa, com os corpos das três vítimas em seu interior.

No mesmo dia, policiais localizaram e prenderam Lucas Pessoa dos Santos e Edenilson Silva dos Santos nas proximidades da BR-317, no ramal do quilômetro 26. Com eles foram apreendidos um fuzil, duas pistolas, munições, celulares e uma motocicleta que, segundo a polícia, foi utilizada na execução do crime. Os dois permanecem presos à disposição da Justiça.

Relação de trabalho e depoimento

Durante o interrogatório, Lucas afirmou trabalhar desde 2020 em fazendas ligadas à família Diniz na região sul do Amazonas. Segundo ele, sua função era proteger propriedades rurais e rebanhos contra supostos invasores.

No vídeo gravado na delegacia, o suspeito afirma que vinha sendo ameaçado por familiares de duas das vítimas e que teria executado a emboscada a mando de Moisés Diniz.

Lucas também assumiu ser o proprietário das armas apreendidas e declarou que o fuzil utilizado na ação criminosa teria sido adquirido na Bolívia.

Outro elemento que passou a integrar a investigação envolve a motocicleta apreendida com os suspeitos. Conforme a polícia, o veículo está registrado em nome de Paulo Oliveira da Silva, administrador da Agropecuária CD, empresa vinculada a Moisés Diniz, com sede em Governador Valadares (MG) e filiais registradas em Lábrea (AM).

Todos esses elementos são analisados pela Polícia Civil e deverão ser confrontados com outras provas produzidas ao longo do inquérito.

Mãe do adolescente morto cobra respostas

A morte de Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos, provocou forte comoção entre familiares.

Em relato encaminhado às autoridades, a mãe do adolescente, Maressa Guimarães Ferreira, afirmou que sua vida mudou completamente desde o assassinato do filho.

Segundo ela, além da dor da perda, a família enfrenta uma rotina de incertezas enquanto busca respostas sobre o crime e acompanha o andamento das investigações.

Maressa afirma que tem recorrido às autoridades, órgãos de fiscalização, representantes políticos e instituições de defesa dos direitos dos cidadãos para garantir que o caso seja conduzido com seriedade, transparência e imparcialidade.

A mãe também relata dificuldades para obter informações sobre o inquérito e diz que continuará lutando para que a morte do filho seja completamente esclarecida e os responsáveis sejam responsabilizados.

Família também atua na política

Além da atuação empresarial, a família Diniz mantém presença no cenário político.

Alex Sandro Coelho Diniz, pai de Moisés Diniz, é filiado ao PL e ocupa a suplência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), irmão de Alex, exerce mandato como deputado federal por Minas Gerais.

Até o momento, não há denúncia oferecida pelo Ministério Público nem decisão judicial que atribua responsabilidade criminal a Moisés Diniz ou a qualquer integrante da família Diniz. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Amazonas, que apura todas as circunstâncias do triplo homicídio.

Nota 

A reportagem entrou em contato com o advogado Vinicius Soalheiro, responsável pela defesa de Moisés Diniz, para solicitar um posicionamento sobre as acusações. Em resposta, o defensor informou que não poderia se manifestar naquele momento devido a um compromisso profissional.

Até a publicação desta reportagem, a defesa não havia encaminhado um posicionamento. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.

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