O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, utilizou a comparação com gestões anteriores para se defender das recentes acusações envolvendo o contrato do programa Wi-Fi Livre. Nesta quarta-feira (8), Nunes afirmou que a prefeitura realiza auditorias rigorosas e destacou que, na época do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), o município chegava a pagar mais de R$ 6 mil por cada ponto de internet instalado nas praças da capital.
A declaração ocorre em meio à repercussão de um relatório que apontou R$ 12 milhões em notas fiscais suspeitas apresentadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade atualmente responsável pela operação dos cerca de 3,2 mil pontos de Wi-Fi gratuito em São Paulo. Após a fiscalização, a administração municipal exigiu a devolução de R$ 906 mil aos cofres públicos.
Como funciona a fiscalização da Prefeitura
Questionado sobre o rombo, Nunes minimizou a crise e explicou que as divergências e retenções de pagamento (as chamadas “glosas”) fazem parte da rotina normal de controle do Executivo.
Segundo o prefeito, a modelagem do contrato prevê o repasse antecipado de parte dos recursos para a operação da rede, com os gastos sendo escrutinados posteriormente.
“Se houver alguma situação em que a prestação de contas tenha uma divergência, é feito o desconto do valor. É um processo normal”, concluiu, ressaltando que as conferências são mensais e que “tem meses que dá tudo certinho”.
Os custos na gestão Fernando Haddad (2013-2016)
A menção de Nunes aos R$ 6 mil remete à licitação original do programa Praças Digitais, concluída em novembro de 2013 pela PRODAM (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo), durante o governo Haddad.
Naquela época, o projeto piloto visava conectar 120 praças públicas com um contrato anual de R$ 9,2 milhões. O valor foi considerado um sucesso pela gestão petista por ficar 40% abaixo do teto inicialmente estimado (R$ 15 milhões).
Para atender as 120 localidades, a cidade foi dividida em quatro lotes, vencidos pelas empresas WCS e ZIVA Tecnologia. O valor repassado variava conforme a infraestrutura da região, resultando nos seguintes custos médios mensais por praça:
Média global do programa: R$ 6.400 mensais por praça.
Lote 1 (Centro): Vencido pela WCS, custou em média R$ 5.200 por mês por praça (região com melhor infraestrutura prévia).
Lote 2 (Zona Leste): Vencido pela WCS, custou em média R$ 6.100 mensais por praça.
Lote 3 (Zonas Norte e Oeste): Vencido pela Ziva, custou em média R$ 5.800 mensais por praça.
Lote 4 (Zonas Sul e Oeste): Vencido pela Ziva, registrou o custo mais alto, com média de R$ 7.900 mensais por praça.
A assessoria de imprensa do ex-prefeito e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi procurada, mas ainda não respondeu sobre o caso.