Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) está utilizando inteligência artificial para identificar possíveis sinais de *autismo (TEA), TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento em alunos da rede municipal de ensino em Canaã dos Carajás, no Pará.
O projeto vem chamando atenção por aplicar tecnologia de análise de comportamento em ambiente escolar e levantar discussões sobre o uso da IA como ferramenta de apoio no diagnóstico precoce.
O que está acontecendo?
O estudo acompanha cerca de 102 crianças de 4 e 5 anos em atividades escolares monitoradas por câmeras.
Durante pequenas dinâmicas em sala de aula — como contação de histórias ou atividades dirigidas — as reações dos alunos são registradas em vídeo. Depois, esse material é analisado por um sistema de inteligência artificial que identifica padrões de comportamento emocional.
A tecnologia transforma essas reações em dados estruturados, permitindo mapear respostas ao longo do tempo.
Como a inteligência artificial funciona na prática?
O sistema desenvolvido pela equipe da UFPA:
capta vídeos curtos durante atividades pedagógicas;
analisa expressões e reações das crianças quadro a quadro;
organiza dados sobre comportamento emocional;
compara padrões entre alunos ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, a IA busca identificar sinais consistentes que podem indicar possíveis características associadas a transtornos como TEA e TDAH.
Qual é o objetivo da pesquisa?
O principal objetivo do projeto é auxiliar na identificação precoce de sinais de neurodivergência, especialmente em regiões com menor acesso a especialistas e diagnósticos clínicos.
A proposta não substitui avaliação médica, mas tenta funcionar como uma ferramenta de apoio para encaminhamento mais rápido de crianças que possam precisar de acompanhamento.
Por que isso virou debate?
O uso de inteligência artificial nesse tipo de avaliação levanta discussões importantes:
risco de falsos positivos ou falsos negativos
privacidade de dados de crianças
necessidade de regulamentação no uso da tecnologia
papel dos profissionais de saúde e educação
Especialistas apontam que, embora a IA possa ajudar na triagem, o diagnóstico final deve sempre ser clínico e feito por profissionais capacitados.
O que dizem os pesquisadores?
A equipe responsável pelo estudo afirma que a IA não substitui médicos ou psicólogos, mas pode funcionar como uma ferramenta complementar em locais onde há falta de recursos e especialistas.
A ideia é reduzir o tempo entre os primeiros sinais e o encaminhamento para avaliação profissional.
O que acontece agora?
O projeto segue em fase de testes e expansão, com expectativa de que os resultados completos sejam divulgados nos próximos meses.
Caso avance, a tecnologia pode ser aplicada em outras escolas e municípios, ampliando o debate sobre o uso da inteligência artificial na educação e na saúde infantil.
CONTEXTO FINAL
O autismo (TEA), o TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento fazem parte de um campo complexo da medicina e da educação, onde o diagnóstico depende de avaliação clínica detalhada e acompanhamento contínuo.
Iniciativas como a da UFPA refletem uma tendência global de uso de inteligência artificial na área da saúde, mas também reforçam a necessidade de cautela, ética e regulamentação no uso dessas tecnologias com crianças.
O tema deve continuar ganhando espaço no debate público à medida que novas pesquisas avancem e que o uso da IA na educação se torne mais comum.