A vitória do advogado Abelardo De La Espriella (do partido Defensores de la Patria) na eleição presidencial da Colômbia, realizada neste domingo (21), consolidou uma expressiva guinada conservadora na América do Sul. A partir da posse do novo mandatário, o continente passará a viver um cenário de maioria conservadora: serão seis países governados pela direita e cinco pela esquerda, reduzindo drasticamente o bloco de aliados ideológicos do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa balança geopolítica, contudo, deve pender para o lado conservador em breve. No Peru, a candidata Keiko Fujimori (Fuerza Popular) aparece na liderança da apuração dos votos presidenciais. Caso a tendência se confirme, a direita assumirá o controle majoritário da região com sete governos, empurrando a esquerda para a minoria com apenas cinco países.
O fim da “Onda Rosa” e a inversão histórica
O atual panorama representa o colapso da hegemonia esquerdista da última década. Em 2015, o campo progressista e de centro-esquerda comandava oito das 12 nações sul-americanas, restando à direita apenas quatro governos. O Paraguai foi a única grande exceção de continuidade conservadora no período, mantendo o alinhamento de direita de forma ininterrupta sob as gestões de Horacio Cartes, Mario Abdo Benítez e, atualmente, Santiago Peña.
O forte avanço da direita ganhou tração definitiva a partir do final de 2025, impulsionado por uma reação em cadeia do eleitorado e pelas vitórias de líderes de perfil conservador e liberal. Atualmente, o bloco direitista da América do Sul é composto por:
- Argentina: Governada pelo libertário Javier Milei;
- Equador: Sob o comando do empresário Daniel Noboa;
- Bolívia: Liderada por Rodrigo Paz, que rompeu o ciclo do MAS;
- Chile: Com o governo de José Antonio Kast;
- Paraguai: Sob a gestão de Santiago Peña;
- Colômbia: Agora integrada por Abelardo De La Espriella.
Impactos no Brasil e o fator Donald Trump
O avanço conservador na vizinhança reconfigura as pressões políticas sobre o Brasil, maior economia e território da região. Uma eventual vitória da direita no território brasileiro em pleitos futuros consolidaria o alinhamento total das maiores economias do continente com Washington, sob a liderança do presidente norte-americano Donald Trump.
De olho nesse movimento, lideranças da oposição brasileira já começaram a alinhar seus discursos ao tabuleiro internacional. É o caso do senador Flávio Bolsonaro, que sinalizou um plano de segurança pública fortemente inspirado na doutrina de tolerância zero dos EUA e no modelo de El Salvador, governado por Nayib Bukele. O projeto prevê a construção de megapresídios de segurança máxima. A recente classificação de facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA, também pressiona o governo progressita de Luiz Inacio Lula da Silva (PT).
Pressão sobre a Venezuela e o “Tren de Aragua”
A mudança na Colômbia também isola de vez o regime da Venezuela, que mantém um governo de esquerda, mas sob severa asfixia institucional após a captura do ditador Nicolás Maduro. Sob forte pressão de Washington, o governo venezuelano foi forçado a colaborar em operações militares estratégicas com as forças armadas dos EUA.
A mais recente dessas ações conjuntas resultou na morte do principal líder do Tren de Aragua, a maior facção criminosa da Venezuela. Sob o governo anterior de Gustavo Petro, a Colômbia servia de barreira regional para o regime de Caracas, apesar de não ser alinhado com Caracas; agora, com La Espriella no poder, a previsão é de alinhamento irrestrito com a Casa Branca para operações de segurança na fronteira e o combate ao crime transnacional.