O clima na concentração da Seleção Brasileira em Nova Jersey é de foco total e união para garantir a liderança do grupo. Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (22), o atacante Gabriel Martinelli quebrou o protocolo, se colocou à disposição do técnico Carlo Ancelotti para jogar em uma posição improvisada e revelou os bastidores do pacto do elenco para blindar e potencializar o futebol de Neymar e Vini Jr.
O Brasil se prepara para enfrentar a Escócia nesta quarta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), em Miami, nos Estados Unidos, pela última rodada da fase de grupos da competição internacional. O duelo vale muito mais do que os três pontos: vale o primeiro lugar e a paz na logística de viagens da delegação.
Quem substitui Raphinha? Martinelli avisa Ancelotti: “Se pedir de lateral, eu jogo”
A grande dor de cabeça do treinador Carlo Ancelotti para escalar o time é a ausência do atacante Raphinha. O jogador sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa direita durante a goleada por 3 a 0 sobre o Haiti e está fora da partida. Embora os jovens Rayan e Luiz Henrique sejam os favoritos naturais para a vaga no lado direito, Martinelli corre por fora e avisou que aceita o desafio, mesmo preferindo atuar pelo lado esquerdo.
“Primeiro, a gente fica triste pelo que aconteceu com o Rapha. Temos muitos jogadores de qualidade na frente. Eu, particularmente, prefiro jogar pela esquerda, mas no Arsenal já fiz a direita. Se ele [Ancelotti] pedir para jogar de lateral-direito, eu faço. Claro, mister!”, disparou o camisa 22, arrancando risos dos jornalistas.
Pacto por Neymar: “A gente correria 30% ou 40% a mais por ele”
Questionado sobre o retorno do craque Neymar aos treinamentos após o tratamento de uma lesão de grau dois na panturrilha direita, Martinelli não escondeu a admiração. Ele revelou que o grupo de jogadores está fechado e pronto para dar a vida em campo para fazer o camisa 10 brilhar quando ele estiver 100% pronto para estrear no torneio mundial.
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O nível nos treinos: “Ele está em um nível muito alto. A intensidade, o jeito que ele voltou, a gente vê que está querendo muito”, relatou o atacante.
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O sacrifício do grupo: “A gente correria 20, 30, 40% a mais para potencializar o Ney ou o Vini Júnior, quem quer que seja. Se precisar defender em uma linha de cinco, toda a equipe está se doando bastante. A gente quer ganhar a Copa”, emendou.
O que está em jogo? A logística que pode deixar o Brasil “itinerante”
Por atuar no futebol inglês desde 2019, Martinelli conhece muito bem os perigos da Escócia — metade dos 26 convocados escoceses joga na badalada Premier League. O atacante citou o lateral Robertson, do Liverpool, e o meia McGinn, do Aston Villa, como os atletas que exigem maior cuidado da nossa defesa.
Além do peso histórico, vencer a Escócia é fundamental para a qualidade de vida dos atletas. Se terminar o grupo na primeira colocação, o Brasil continua baseado em seu hotel de luxo em Nova Jersey e fará todo o mata-mata jogando em gramados dos Estados Unidos.
No entanto, se o Brasil avançar em segundo lugar, a situação complica: a Seleção terá que viajar imediatamente para o México para disputar a fase de 16 avos de final na cidade de Monterrey. Caso vença e passe para as oitavas, teria que arrumar as malas e voltar para o território norte-americano, deixando o time em uma rotina cansativa e “itinerante” de aeroportos.
BIO E CONTEXTO FINAL
Gabriel Martinelli é um dos símbolos da legião de jogadores brasileiros que conquistaram a Europa muito jovens. No Arsenal desde os 18 anos, o atacante une a disciplina tática exigida no futebol inglês com o talento natural da favela brasileira. Suas declarações fortes mostram a maturidade de um grupo que entendeu o tamanho da cobrança do torcedor das classes C e D após as atuações oscilantes do início do campeonato. Ao se oferecer para jogar em qualquer posição e prometer correr o dobro pelas grandes estrelas como Neymar, o jovem atacante mostra que o foco total do grupo está em evitar o desgaste de viagens longas e pavimentar o caminho ideal rumo à grande final nos Estados Unidos.