Bruna Marquezine expõe feridas para falar de autoestima e amor

Bruna Marquezine compartilha experiências pessoais e reflexões sobre autoestima e escolhas afetivas em evento em São Paulo.
Redação NC News
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Bruna Marquezine transforma memórias dolorosas em manifesto de autoestima na noite de 22 de junho de 2026, em São Paulo. Aos 30 anos, diante de um auditório lotado no hotel Rosewood, a atriz fala de amor, fama e autoconhecimento durante o Power Talks, debate promovido pela Kérastase, marca da qual é embaixadora.

Na mesma noite em que cruza o tapete vermelho com um vestido Schiaparelli dourado avaliado em R$ 70 mil, ela decide expor a cicatriz de uma fase que mistura Neymar, novela em crise e choro escondido em camarins. O brilho do look contrasta com o relato cru de quem admite ter conhecido ali a síndrome da impostora.

Autoestima como escolha diária

Bruna não trata autoestima como um estado permanente, mas como um trabalho cotidiano. Ela descreve um processo feito de idas e vindas, em que o amor próprio não é dado, é conquistado.

“A gente aprende errando e caminhando, fazendo escolhas equivocadas, repensando… Fazendo um trabalho importante de olhar para si e de autoconhecimento”, afirma. “Essa pressão externa não é exclusividade minha ou do meu ofício. Todas as mulheres sofrem com ela de alguma forma. Ela impacta as nossas escolhas e as nossas vidas. É inevitável. É um processo que a gente vai conquistando frequentemente. Perde e encontra de novo. O principal é olhar para si e se acolher.”

No palco, a atriz que cresceu diante das câmeras tenta desmontar a fantasia de vida perfeita que o público costuma projetar sobre celebridades. Ao falar da própria vulnerabilidade, ela desloca o foco da aparência para o afeto que cada mulher consegue dirigir a si mesma.

O barquinho e o ruído do mundo

Para lidar com o volume de opiniões que cercam seu nome, Bruna desenvolve um exercício mental simples, quase infantil, mas que define como ferramenta de sobrevivência emocional.

“Tenho feito muito ultimamente o exercício de me distanciar desses pensamentos. Imagino um barquinho em um rio. Toda vez que uma coisa é uma condenação e não uma convicção, coloco nesse barquinho e observo ir embora”, conta. Ela diz tentar não se confundir com críticas que, muitas vezes, falam mais das expectativas dos outros do que da realidade.

Em vez de rebater ataques, a atriz descreve uma espécie de higiene emocional. O que não nasce de uma convicção interna, o que soa como sentença, entra nesse barco imaginário. O gesto simbólico, repetido, vira prática concreta de preservação da autoestima.

Neymar, novela em crise e o início da síndrome da impostora

O momento mais tenso do Power Talks surge quando Bruna volta a 2015. Ela tem 18 anos, vive um namoro de alta exposição com Neymar, então já astro global, e assume a responsabilidade de salvar uma novela em apuros, “I Love Paraisópolis”.

“Foi um momento muito vulnerável da minha vida, tinha completado 18 anos, estava fazendo uma novela que não estava indo muito bem… Me tornei protagonista desta novela já com ela no ar em uma tentativa de ganhar o público… Eu estava sentindo o peso disso em paralelo à minha vida pessoal muito exposta, não por escolha”, relata.

Nos bastidores, a pressão transborda em choro. “Eu chorava com muita frequência nos bastidores e fizeram uma reclamação no RH de que eu chorava muito e atrapalhava a maquiagem”, lembra. Em uma reunião, ouve de um homem, cujo nome não cita: “Aqui você precisa passar o crachá e começar a interpretar”.

A frase, repetida no palco do Rosewood, ainda pesa. “Aquilo me feriu profundamente. Eu estava tão vulnerável. A síndrome da impostora começou ali, mas hoje olho para aquela menina com muito afeto (…) Graças à terapia, consigo olhar para trás e me acolher. Hoje não aceitaria passar por isso”, afirma.

O namoro com Neymar, que se estende de forma intermitente entre 2013 e 2018, vira pano de fundo de uma discussão maior. Não se trata mais do ex-casal famoso, de buscas por “Bruna Marquezine Neymar” no Google, mas da violência emocional de uma jovem tentando sustentar a carreira enquanto sua vida afetiva vira assunto nacional sem que ela tenha escolhido isso.

Do amor romântico ao poder de escolher

Ao falar de Bruna Marquezine hoje, o foco já não está na menina de 18 anos, mas na mulher que coloca limites, vai à terapia e repensa o próprio jeito de amar. A mudança aparece com nitidez quando ela toca, sem rodeios, no relacionamento atual com o cantor canadense Shawn Mendes, 27.

“Entendi a escolha como algo muito bonito e importante, tem pouco tempo. Até no amor… Eu gostava da ideia romântica de que o amor não nos permite nem escolher”, diz. O público se ajeita na cadeira, atento. Ela segue: “Quando a gente entende o poder da nossa escolha, é uma coisa transformadora. Foi um momento eureka: ‘Uau! Você pode escolher’. É importante isso e tem uma beleza nisso.”

O que poderia ser apenas a confirmação discreta de um namoro vira reflexão sobre liberdade feminina. Amar, na equação que Bruna apresenta, deixa de ser destino inevitável, quase fatalista, e passa a ser decisão consciente. A autoestima entra como filtro: quem eu aceito ao meu lado, em que condições e a que custo.

Vestido de R$ 70 mil, terapia e o jogo de aparências

O vestido Schiaparelli que rouba flashes na entrada do evento funciona quase como metáfora. A malha metálica dourada, justa como uma segunda pele, com gola alta estruturada, recortes laterais e costas abertas, celebra um corpo confiante. O styling minimalista, com joias discretas, escarpim nude, maquiagem clean e cabelo em corte bob com ondas soltas, constrói a imagem de alguém no controle da própria narrativa.

Por trás desse brilho, porém, está a mesma mulher que lembra, sem glamour, a reunião de RH que a fez se sentir pequena. Ao unir alta-costura, discurso sobre empoderamento e confissão de fragilidades, Bruna encarna a tensão entre aparência e afeto verdadeiro. Mostra que nenhuma produção, por mais cara que seja, substitui o trabalho silencioso da terapia e do autoconhecimento.

Aos poucos, a atriz se consolida como referência num debate que atravessa entretenimento, moda e beleza. Para a Kérastase, a escolha de uma porta-voz que fala de saúde mental ao mesmo tempo em que vende brilho no cabelo reforça uma estratégia de associar produto a cuidado integral. Para o público, sobretudo mulheres jovens, o recado é outro: autoestima não se mede em curtidas no Instagram nem no valor do vestido, mas na capacidade de se acolher quando tudo desanda.

Quem ganha quando uma atriz diz que doeu

O relato sobre os bastidores de “I Love Paraisópolis”, gravada sob a direção de Wolf Maya e coestreada por nomes como Caio Castro e Maurício Destri, chega em um momento em que a indústria audiovisual começa a discutir, ainda de forma tímida, protocolos de apoio psicológico. Ao admitir que chorava tanto a ponto de virar “problema de RH”, Bruna expõe uma engrenagem que naturaliza o sofrimento em nome do produto no ar.

A reação inicial ao discurso é de acolhimento, especialmente entre fãs, mulheres e ativistas de empoderamento feminino. Ao colocar sentimentos em palavras, ela ajuda a nomear experiências comuns, ainda que em escalas diferentes, de quem vive relações abusivas no trabalho ou no amor. Também pressiona emissoras, produtoras e marcas a reverem como tratam artistas, principalmente jovens atrizes.

Do lado da moda e da beleza, a imagem de Bruna em um Schiaparelli de R$ 70 mil, circulando entre celebridades como Manu Gavassi, Agnes Nunes, Ana Paula Renault e Catarina Tourinho, alimenta o imaginário de luxo. Mas a fala sobre a menina de 18 anos desamparada lembra que nenhum status imuniza contra inseguranças profundas.

Os próximos capítulos dessa história passam por como o mercado vai responder à sinceridade da atriz. Se o evento desta segunda-feira marcar apenas mais um ciclo de engajamento e vendas, pouca coisa muda. Se, ao contrário, esse depoimento se transformar em pressão concreta por ambientes de trabalho mais humanos e em incentivo para que outras figuras públicas falem de saúde mental, a noite no Rosewood terá ido além do tapete vermelho. Entre o barquinho que leva embora condenações e a escolha consciente de quem se ama e com quem se ama, Bruna Marquezine sinaliza que, desta vez, quem conduz a própria narrativa é ela.

Quem é hoje o namorado de Bruna Marquezine?

Bruna Marquezine conta no evento que está em um relacionamento com o cantor canadense Shawn Mendes, de 27 anos, e fala dele ao discutir o poder de escolher no amor.

Qual a doença que a Bruna Marquezine tem?

Bruna relata ter desenvolvido sintomas da chamada síndrome da impostora durante a novela “I Love Paraisópolis”, quando tinha 18 anos e vivia forte pressão profissional e exposição da vida pessoal.


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