Uma cobertura triplex de 340 metros quadrados na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, está enfrentando dificuldades para ser vendida. O motivo está ligado ao passado do imóvel: foi ali que Marcos Matsunaga foi assassinado pela esposa, Elize Matsunaga, em 2012.
A propriedade está anunciada por R$ 2,8 milhões e voltou oficialmente ao mercado em julho. Apesar de ter recebido algumas visitas, nenhuma negociação foi concluída até agora. Uma corretora ouvida pela Folha relatou que uma cliente desistiu da compra depois de descobrir que o crime havia acontecido no apartamento.
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Entenda o que aconteceu
A cobertura fica em um edifício na Vila Leopoldina e ocupa quatro pavimentos. O imóvel reúne cinco suítes, salas de estar e jantar, copa, bar, lareira, escritório e duas varandas.
Na área externa, há piscina privativa, churrasqueira e sauna seca. O imóvel também conta com adega climatizada e vista panorâmica para a zona oeste da capital.
O valor pedido pela cobertura é de R$ 2,8 milhões. Além da compra, o futuro proprietário teria despesas de condomínio de aproximadamente R$ 6 mil por mês e IPTU anual na casa dos R$ 19 mil, segundo informações do anúncio.
Histórico do imóvel pesa nas negociações
O assassinato de Marcos Matsunaga aconteceu dentro da cobertura em maio de 2012. O caso teve grande repercussão nacional e posteriormente foi retratado em documentários e produções sobre crimes reais.
Segundo a Folha, o histórico do imóvel é conhecido entre corretores da região e já levou potenciais compradores a desistirem da negociação. A corretora Cristiane Gomes afirmou que uma cliente chegou a abandonar a compra depois de saber o que havia acontecido no local.
Cobertura passou por disputa judicial
Antes de voltar ao mercado, o imóvel também esteve envolvido em uma disputa judicial entre Elize Matsunaga e a família de Marcos.
Marcos havia adquirido duas coberturas no edifício em 2008. Posteriormente, as unidades foram integradas e deram origem ao triplex onde ele morava com Elize e a filha do casal.
Após a disputa judicial, Elize perdeu o direito sobre o imóvel. A propriedade permaneceu com a família Matsunaga, que posteriormente decidiu colocá-la novamente à venda.
O que aconteceu no caso Matsunaga
Marcos Matsunaga foi morto dentro do apartamento em 19 de maio de 2012. Segundo os registros do caso, Elize atirou contra o marido e depois esquartejou o corpo.
Os restos mortais foram colocados em malas e abandonados em áreas de mata de Cotia, na Grande São Paulo. Câmeras do condomínio registraram Elize deixando o prédio com as bagagens no dia seguinte.
Elize foi condenada em 2016 por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena, inicialmente fixada em 19 anos, 11 meses e um dia, foi posteriormente reduzida para 16 anos, três meses e três dias. Atualmente, ela cumpre o restante da pena em regime aberto.
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Corretor precisa informar histórico do imóvel
Além de influenciar o interesse de compradores, o passado da propriedade também envolve uma questão profissional para quem trabalha com a venda.
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) orienta que informações relevantes sobre o histórico do imóvel sejam apresentadas aos interessados. A omissão de uma informação dessa natureza pode gerar questionamentos e até processos por danos morais, segundo a entidade citada pela Folha.
Assim, quem anuncia ou intermedeia a venda precisa lidar com uma situação incomum: apresentar as características e o valor de mercado da propriedade, mas também informar que o local foi cenário de um crime de grande repercussão.
ENTENDA O CONTEXTO
O caso Matsunaga aconteceu há 14 anos, mas continua associado ao imóvel onde ocorreu o assassinato. A cobertura passou por disputa judicial, foi reformada e voltou ao mercado imobiliário, mas o histórico do endereço permanece como um fator considerado nas negociações.
Hoje, o triplex de 340 m² está anunciado por R$ 2,8 milhões. Apesar da estrutura e dos itens de lazer, a propriedade ainda não teve uma venda concretizada desde que voltou ao mercado em julho.
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