O império de Edir Macedo: entenda a operação da PF e a origem da fortuna estimada em R$ 2 bilhões

A investigação de supostas fraudes no Banco Digimais expõe a engrenagem de enriquecimento do líder da Igreja Universal e uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões.
Redação NC News
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A recente Operação Miragem realizada pela Polícia Federal, que investiga um esquema de supostas fraudes no Banco Digimais, abriu um novo capítulo sobre as dúvidas relacionadas ao patrimônio de Edir Macedo. Com o bloqueio judicial de até R$ 670 milhões dos investigados, a ação das autoridades levanta uma questão que intriga o país há décadas: qual é a mecânica exata por trás da fortuna de um líder religioso avaliada em impressionantes R$ 2 bilhões?

Apontado pela revista especializada Forbes como o pastor mais rico do Brasil, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) construiu, ao longo de quase meio século, um conglomerado que ultrapassa as barreiras da religião. A operação da PF desta semana, que apura manipulação de dados para ocultar a real situação financeira do Banco Digimais, funciona como um raio-X sobre o braço mais recente desse império: o setor bancário.

A mecânica da acumulação de capital

Para entender como Edir Macedo atingiu o patamar de bilionário, é necessário analisar a diversificação estratégica de seus negócios. A construção da sua fortuna é sustentada por três pilares fundamentais, que interagem e se retroalimentam:

  • A base religiosa (1977): A fundação da Igreja Universal do Reino de Deus foi o alicerce. A rápida expansão neopentecostal pelo Brasil e pelo mundo garantiu um fluxo contínuo de doações e dízimos, formando a base de capital inicial que permitiria voos mais altos.
  • O império midiático (1989): A aquisição do Grupo Record foi o principal salto patrimonial do bispo. Transformando a emissora na segunda maior do Brasil, Macedo passou a deter uma máquina de influência e receita publicitária. Embora afirme que os lucros são reinvestidos na emissora, o conglomerado é o grande lastro de seu patrimônio.
  • O braço financeiro (2020): A compra integral do Banco Renner — posteriormente rebatizado de Banco Digimais — marcou a entrada direta do pastor no controle do mercado de capitais. O banco atuava não apenas no crédito, mas na gestão sofisticada de fundos.
Edir Macedo em helicóptero de luxo modelo Bell 429 WLF, comprado pela Igreja Universal, avaliado em cerca de R$ 35 milhões. Foto: Redes Sociais

De pastor a magnata das finanças

A transição de líder religioso para banqueiro expôs Macedo aos rigorosos mecanismos de controle do Sistema Financeiro Nacional. Segundo as apurações subsidiadas pelo Banco Central, a atual gestão do Banco Digimais teria utilizado fundos de investimentos de maneira irregular. O objetivo seria mascarar a saúde contábil da instituição, simulando solvência e viabilizando linhas de crédito que, por lei, seriam vedadas.

A estratégia de entrar no setor bancário visava rentabilizar o vasto capital acumulado e integrar serviços financeiros para o seu público e empresas parceiras. Em abril deste ano, essa operação chamou a atenção do BTG Pactual, que chegou a assinar um acordo para adquirir o Digimais, transação que agora pode sofrer impactos diretos com as buscas da PF.

Histórico de polêmicas e investigações

A escalada bilionária de Edir Macedo nunca esteve imune ao escrutínio policial. A sua trajetória financeira é marcada por embates jurídicos:

  • 1992: Chegou a ser preso por 11 dias sob acusações de charlatanismo e estelionato, processos que terminaram arquivados por falta de provas.
  • 2009 e 2011: Foi alvo de investigações por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas, sem que houvesse condenações criminais definitivas.

Hoje, aos 81 anos e residindo fora do Brasil — motivo pelo qual não foi alvo direto de buscas domiciliares na Operação Miragem —, Edir Macedo mantém a hegemonia como o líder religioso mais rico do país. A atual investigação da PF tenta desvendar se a última peça desse império bilionário foi erguida sobre fundações fraudulentas, colocando em xeque as práticas contábeis que sustentam o topo de sua pirâmide de negócios.

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