Jaques Wagner entrega liderança do governo Lula após ser alvo da Operação Compliance Zero

Decisão foi selada em reunião de duas horas no Palácio da Alvorada; Polícia Federal investiga repasses de R$ 3,5 milhões e favorecimento ao Banco Master
Redação NC News
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O Palácio do Planalto sofreu o seu mais duro golpe político e estratégico no Congresso Nacional. Após uma tensa reunião de bastidores que durou cerca de duas horas no Palácio da Alvorada, o senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou oficialmente, na noite desta quarta-feira (24), a sua saída definitiva do cargo de líder do governo no Senado Federal. O desembarque forçado acontece menos de uma semana após o parlamentar baiano se tornar o alvo central da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema bilionário de fraudes financeiras e corrupção.

O afastamento foi selado em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Wagner, que é um dos fundadores do PT e amigo pessoal do presidente há quatro décadas, vinha sofrendo uma pressão insustentável nos bastidores de Brasília desde que equipes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em seus endereços residenciais e gabinetes em Salvador e na capital federal.

“Decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência”, declarou o senador em suas redes sociais oficiais, tentando blindar a imagem do governo federal.
Quais são as graves acusações da PF contra o senador?
O relatório sigiloso enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) posiciona Jaques Wagner em uma situação jurídica extremamente delicada. Os investigadores apontam o agora ex-líder do governo como o “suposto beneficiário central” de uma rede de vantagens econômicas estruturada por executivos do sistema financeiro.

A apuração indica que o petista mantinha uma relação de estreita proximidade com o banqueiro Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno (instituição liquidada pelo Banco Central) e ex-sócio de Daniel Vorcaro no comando do Banco Master. A PF reuniu indícios de que o parlamentar teria recebido propinas e vantagens patrimoniais em troca de sua forte influência política no Congresso para articular a aprovação de medidas provisórias e projetos de lei de interesse das instituições, apelidada nos bastidores de “Emenda Master”.

 

O tamanho do cerco financeiro
R$ 3,5 milhões sob suspeita: Rastreamentos bancários identificaram repasses financeiros sucessivos que totalizam mais de R$ 3,5 milhões pulverizados em contas em nome de familiares diretos do senador.
Imóvel de alto padrão: A Polícia Federal realiza perícias contábeis sobre as condições de compra de um apartamento de luxo adquirido por Wagner em uma das áreas nobres mais valorizadas de Salvador.
A defesa do parlamentar: Por meio de seus advogados de defesa, o senador baiano refutou veementemente todas as suspeitas, afirmando que suas movimentações patrimoniais são totalmente lícitas e declaradas.
O esquema bilionário também atinge a oposição
Os tentáculos da Operação Compliance Zero mostram que o esquema de favorecimento a banqueiros cruzava os balcões ideológicos de Brasília. Além de atingir a liderança do governo Lula, os documentos da PF miram com igual contundência caciques da oposição ao Palácio do Planalto, evidenciando o caráter pluripartidário das fraudes.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil e um dos principais líderes do bloco do Centrão, também foi incluído nos relatórios enviados ao STF. Os investigadores interceptaram comprovantes mostrando que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro dispensava um “tratamento privilegiado e diferenciado” a Nogueira.

A quebra de sigilo revelou o pagamento de mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo para custear viagens internacionais de luxo e hospedagens em hotéis de altíssimo padrão na Europa para o parlamentar do Piauí. A PF suspeita que as mordomias internacionais funcionavam como contrapartida para a defesa dos interesses do grupo econômico em comissões temáticas do Senado.

 

O que acontece agora e o impacto tático no Congresso?
A saída de Jaques Wagner desorganiza completamente a base de apoio do governo Lula no Senado justamente no momento em que o Palácio do Planalto tenta acelerar a votação de pautas econômicas cruciais para o Orçamento. Wagner era considerado o principal “bombeiro” e articulador político do governo, capaz de dialogar desde a esquerda até a oposição mais radical.

Desafio Imediato do Governo
Impacto com a Saída de Wagner
Próximo Passo nos Bastidores
Votação de pautas econômicas
Perda de um articulador com trânsito no Centrão
Lula deve acelerar a escolha de um substituto moderado
Defesa jurídica do partido
Desgaste da imagem do PT por denúncia de corrupção
Blindar as campanhas municipais do impacto da PF
A cúpula do PT e os ministros palacianos correm contra o relógio para escolher um substituto para a liderança antes da reabertura dos trabalhos legislativos na próxima semana. Nos bastidores de Salvador, Wagner pretende focar suas energias na construção das estratégias eleitorais na Bahia, onde tentará coordenar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e preparar a sua própria campanha de renovação de mandato ao Senado em uma chapa casada com o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa.

 

Entenda o Contexto
A queda de um líder de governo decorrente de investigações da Polícia Federal ressuscita no Congresso o fantasma das grandes operações de combate à corrupção que marcaram a história política recente do país. A relevância da Operação Compliance Zero reside no fato de colocar sob os refletores o funcionamento dos bastidores do sistema financeiro nacional e sua capacidade de influenciar diretamente a formulação de leis por meio do financiamento de privilégios para agentes públicos de diferentes espectros políticos. Diante dos próximos desdobramentos, que envolvem a análise do material apreendido nos computadores e celulares de Jaques Wagner e Ciro Nogueira, o governo Lula precisará recalcular sua rota de sobrevivência parlamentar, sob o risco de ver sua agenda econômica travada no Senado caso a crise política se aprofunde e contamine outros partidos da base aliada.

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