CPI dos Devedores pressiona empresas e já movimenta R$ 760 milhões em negociações na capital paulista

Comissão da Câmara de São Paulo investiga gigantes com débitos tributários que somam mais de R$ 56 bilhões; ausência da Hapvida NotreDame Intermédica amplia pressão nos trabalhos
Redação NC News
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A CPI dos Grandes Devedores, instalada pela Câmara Municipal de São Paulo em maio, começou a produzir efeitos antes mesmo de avançar para a fase mais intensa das investigações. Segundo o presidência da comissão, empresas passaram a procurar a Prefeitura para negociar débitos tributários e os acordos em discussão já alcançam R$ 760 milhões.

O colegiado composto pelos vereadores Sansão Pereira (Republicanos) – presidente, Senival Moura (PT) – Vice-presidente, Marcelo Messias (MDB) – Relator.  Além dos membros Isac Félix (PL), Silvinho Leite (União Brasil), Professor Toninho Vespoli (PSOL), Kenji Ito (Podemos)
Janaína Paschoal (PP), Thammy Miranda (PSD).

foi criado para investigar grandes empresas que acumulam dívidas com o município. O foco está em débitos relacionados ao IPTU, ISS e outros tributos municipais. De acordo com dados apresentados à comissão, as 50 maiores devedoras da capital concentram mais de R$ 56 bilhões em pendências fiscais.

O que aconteceu?

A CPI foi instalada em 14 de maio de 2026 e reúne nove vereadores responsáveis por analisar a situação fiscal das maiores empresas devedoras da cidade.

O principal objetivo é identificar os motivos que levaram ao acúmulo dos débitos, verificar a situação dos processos de cobrança e estimular a recuperação dos recursos que poderiam ser destinados aos cofres públicos.

A expectativa dos parlamentares é que parte significativa desses valores possa ser recuperada e revertida para investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e habitação.

Como a história começou?

A criação da comissão ocorreu após a divulgação, pela Prefeitura de São Paulo, da lista dos maiores devedores de impostos municipais. Veja a lista completa:

A partir da publicação desses dados, vereadores defenderam uma investigação específica para entender por que grandes grupos econômicos permanecem com débitos elevados enquanto milhares de contribuintes mantêm suas obrigações em dia.

A proposta ganhou apoio suficiente na Câmara e resultou na criação da CPI dos Devedores.

Por que a CPI já é considerada estratégica?

Embora os trabalhos estejam em fase inicial, os vereadores afirmam que a simples instalação da comissão provocou uma reação imediata de empresas interessadas em regularizar sua situação fiscal.

Segundo o Vereador Sansão Pereira, parte dos contribuintes procurou os canais de negociação da Prefeitura logo após o anúncio da investigação.

O resultado foi a abertura de negociações que somam aproximadamente R$ 760 milhões.

A comissão entende que esse movimento demonstra o potencial da investigação para acelerar acordos e aumentar a arrecadação municipal.

Além dos parlamentares, representantes da Secretaria Municipal da Fazenda, Procuradoria-Geral do Município, Tribunal de Contas do Município, Ministério Público e outras instituições foram convidados para colaborar com os trabalhos.

Empresas convocadas entram na mira

Entre os primeiros requerimentos aprovados pela comissão está a convocação de representantes de grandes empresas apontadas como devedoras do município.

A lista inclui instituições financeiras, operadoras de saúde, empresas de tecnologia, telecomunicações e grupos hospitalares.

Ausência da Hapvida NotreDame Intermédica gera desgaste

Um dos episódios que mais chamou atenção durante a segunda sessão da CPI foi a ausência de representantes da operadora de saúde Hapvida NotreDame Intermédica em uma das convocações feitas pela comissão.

O não comparecimento gerou críticas entre vereadores, que defendem maior colaboração das empresas convocadas para o esclarecimento das informações solicitadas.

A comissão avalia os próximos passos para garantir a obtenção dos dados considerados essenciais para o andamento das investigações.

Como funciona a cobrança dessas dívidas?

Grande parte dos débitos investigados envolve discussões administrativas e judiciais que podem se arrastar por anos.

Em alguns casos, empresas contestam os valores cobrados pelo município. Em outros, existem negociações em andamento ou programas especiais de parcelamento.

Especialistas ouvidos durante os trabalhos da CPI explicaram que muitos contribuintes recorrem ao Judiciário para questionar a cobrança de determinados tributos ou a forma de cálculo utilizada pelo município.

Por isso, a comissão pretende diferenciar situações em que há discussão legítima daquelas em que a dívida permanece sem solução prática por longos períodos.

Qual o impacto para a população?

A principal justificativa apresentada pelos vereadores é que a recuperação desses recursos pode aumentar a capacidade de investimento da Prefeitura.

Segundo os parlamentares, valores recuperados poderiam reforçar áreas consideradas prioritárias para a cidade como saúde, educação, habitação, mobilidade entre outros.
A CPI também busca identificar possíveis gargalos nos mecanismos de cobrança para evitar que novos passivos bilionários se acumulem no futuro.

O que acontece agora?
A comissão continuará ouvindo representantes de órgãos públicos e empresas incluídas entre os maiores devedores do município.

Novos requerimentos, pedidos de documentos e convocações devem ser analisados nas próximas reuniões.

Os vereadores também pretendem acompanhar a evolução dos acordos firmados após o início da CPI e verificar se as negociações resultarão efetivamente em arrecadação para os cofres municipais.

Os primeiros resultados já indicam um aumento na procura por negociações, mas o verdadeiro impacto da CPI só poderá ser medido nos próximos meses, quando os acordos forem formalizados e os pagamentos começarem a entrar efetivamente nos cofres da capital paulista.

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