A consolidação da direita na América do Sul acaba de ganhar novos e decisivos capítulos. Com a vitória iminente de Keiko Fujimori (Fuerza Popular) no Peru e a eleição de Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria) na Colômbia, o continente passará a viver um cenário de maioria conservadora. A partir da posse dos novos mandatários, serão sete países governados pela direita e cinco pela esquerda, reduzindo drasticamente o bloco de aliados ideológicos do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
O atual panorama representa o colapso da hegemonia esquerdista da última década. Em 2015, o campo progressista e de centro-esquerda comandava oito das 12 nações sul-americanas. O forte avanço da direita ganhou tração definitiva a partir do final de 2025, impulsionado por uma reação em cadeia do eleitorado.

O bloco direitista da América do Sul agora é composto por:
- Argentina: Governada pelo libertário Javier Milei;
- Chile: Com o governo de José Antonio Kast;
- Bolívia: Liderada por Rodrigo Paz, que rompeu o longo ciclo do MAS;
- Equador: Sob o comando do empresário Daniel Noboa;
- Paraguai: Sob a gestão de Santiago Peña (mantendo o alinhamento de direita ininterrupto do país);
- Colômbia: Agora integrada por Abelardo de la Espriella;
- Peru: Com posse de Keiko Fujimori.
O peso econômico do Brasil
Apesar da nova maioria de direita em número de países, o peso do Brasil segue como o principal fator de equilíbrio para a esquerda. Como o maior PIB da América do Sul — registrando um consolidado de US$ 2,28 trilhões em 2025 (valor 230% maior que o da Argentina, a segunda maior economia) —, o Brasil influencia diretamente o saldo econômico e populacional do continente.
Atualmente, as nações administradas pela direita representam 45% do PIB sul-americano. No entanto, em caso de uma eventual vitória da direita nas eleições ao Planalto no futuro, os líderes deste espectro político passariam a dominar mais de 95% das riquezas da região.
O fator Trump e os impactos no Brasil
O avanço conservador na vizinhança reconfigura as pressões políticas sobre o Brasil, consolidando um forte alinhamento das maiores economias do continente com Washington, sob a liderança do presidente norte-americano Donald Trump.
Lideranças da oposição brasileira já alinham seus discursos a este novo tabuleiro internacional. O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, tem sinalizado um plano de segurança pública inspirado na doutrina de “tolerância zero” dos EUA e no modelo adotado em El Salvador por Nayib Bukele, prevendo a construção de megapresídios de segurança máxima. Além disso, a recente classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA aumenta a pressão institucional sobre o governo Lula.
Cerco à Venezuela e o combate ao “Tren de Aragua”
A guinada à direita na Colômbia também isola definitivamente a Venezuela. Sob forte asfixia institucional após a captura do ditador Nicolás Maduro, o governo venezuelano foi forçado por Washington a colaborar em operações militares estratégicas com as Forças Armadas dos EUA.
A mais recente dessas ações conjuntas resultou na morte do principal líder do Tren de Aragua, a maior facção criminosa da Venezuela. Durante a gestão do esquerdista Gustavo Petro, a Colômbia servia como uma espécie de barreira regional. Agora, com La Espriella no poder, a previsão é de um alinhamento irrestrito com a Casa Branca para operações de segurança nas fronteiras e um endurecimento no combate ao crime transnacional.