Morre aos 60 anos Figueira Júnior, voz de Fry e Androide 17

Dublador icônico que marcou gerações em animações brasileiras falece aos 60 anos, deixando legado na dublagem.
Redação NC News
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O dublador Figueira Júnior morre aos 60 anos na sexta-feira, 26 de agosto de 2022, no Brasil. A morte, confirmada na madrugada de sábado (27), comove colegas da dublagem e fãs de animações.

Uma voz que atravessa gerações

Reconhecido por dar vida ao Androide 17, da franquia “Dragon Ball”, e a Philip J. Fry, de “Futurama”, Figueira Júnior se torna uma das vozes mais presentes na memória afetiva de quem cresceu diante da TV. Em quase quatro décadas de carreira, ele consolida um repertório que mistura animes, séries, filmes clássicos e publicidade.

A notícia da morte vem a público por meio da dubladora e amiga de longa data Tânia Gaidarji, voz de Bulma em “Dragon Ball”. Em um relato emocionado nas redes sociais, na madrugada de 27 de agosto, ela conta sobre o último encontro entre os dois, no Instituto do Coração, em São Paulo, onde está internada para uma cirurgia.

“Meu grande amigo Figueira Júnior nos deixou. Ele foi me visitar várias vezes no Instituto do Coração e tiramos essas fotos na quinta-feira da semana passada, um dia antes da minha cirurgia. Ele estava me dando forças e acalmando. E estava feliz e esperançoso porque estava tomando uma nova medicação, também para o coração. Nesse dia, por coincidência, ele foi com a camiseta do Android 17 e eu estava com a camiseta da Bulma. Por quê não dei as Sementes dos Deuses pra ele?”, escreve Tânia.

A causa da morte não é divulgada até o momento, por decisão da família. O silêncio em torno do diagnóstico reforça o pedido de respeito à privacidade, em meio à comoção dos fãs.

Do estúdio à sala de aula

Figueira Júnior não se limita a ser apenas a voz de personagens populares. Ele atua como locutor, diretor de dublagem, fotógrafo e professor, ajudando a formar novos profissionais em um mercado que se expande com o crescimento dos serviços de streaming e da cultura pop no país.

Além de animes e animações, ele participa de dublagens de filmes que se tornam referência para o público brasileiro, como “O Profissional”, “Um Sonho de Liberdade” e “Karatê Kid – A Hora da Verdade”. Em muitos casos, a interpretação dele funciona como porta de entrada para essas obras, sobretudo entre espectadores que assistem às versões dubladas na TV aberta e por assinatura.

O talento também se espalha pela família. Seu sobrinho, Daniel Figueira, segue a mesma trilha e hoje é conhecido por dublar Tanjiro Kamado em “Demon Slayer”. A relação entre tio e sobrinho simboliza a transmissão de técnica e sensibilidade de uma geração para outra dentro da dublagem brasileira.

A organização Dublagem Viva, voltada à valorização do setor, divulga nota em homenagem ao artista. “Com personagens que marcaram a vida de muitas pessoas, Figueira agora estará eternizado através de sua voz em diversas obras como ‘Futurama’ e ‘Dragon Ball'”, afirma a entidade.

Luto em um mercado em expansão

O impacto da morte de Figueira Júnior vai além da dor pessoal de colegas e amigos. O setor de dublagem perde um profissional com quase 40 anos de estúdio, acostumado a transitar entre gêneros, timbres e públicos. Estúdios e diretores passam a lidar com o desafio de substituir uma voz que, para muitos espectadores, se confunde com a identidade de personagens já consagrados.

Em produções seriadas, como animes de longa duração e animações cultuadas, mudanças de voz costumam provocar estranhamento imediato. A ausência de Figueira pressiona as equipes criativas a encontrar soluções que respeitem essa memória sonora, sem cair na simples tentativa de imitação. A discussão sobre preservação da identidade vocal, recorrente na comunidade de fãs, tende a ganhar força.

A morte também atinge a dimensão pedagógica da dublagem. Como professor e diretor, ele participa da formação de novos talentos em um momento de alta demanda por versões em português de séries estrangeiras, K-dramas, animações japonesas e produções de grandes estúdios. O vácuo deixado por um profissional experiente afeta o ritmo de renovação do mercado.

Entre fãs de franquias como “Dragon Ball” e “Futurama”, o luto se manifesta em depoimentos que misturam nostalgia e gratidão. A voz de Figueira se torna parte da experiência de infância e adolescência de milhares de brasileiros, o que ajuda a dimensionar o peso cultural de sua contribuição.

Legado e próximos passos

A repercussão imediata da morte nas redes sociais indica que a comunidade de dublagem deve organizar homenagens, encontros e painéis dedicados à trajetória de Figueira Júnior. Eventos de cultura pop, como convenções de anime e festivais de dublagem, tendem a reservar espaços para lembrar seus trabalhos, relembrarem bastidores e discutir saúde e bem-estar dos profissionais da voz.

O caso também expõe, ainda que de forma discreta, a preocupação com doenças cardíacas em um meio marcado por jornadas intensas de gravação e pressão por prazos. O relato de Tânia, que recebe o amigo no hospital enquanto ele próprio inicia uma nova medicação para o coração, acende um alerta silencioso sobre autocuidado em uma indústria que raramente aparece à luz do dia.

A longo prazo, o legado de Figueira deve se firmar em duas frentes. Na memória popular, permanece como o timbre inconfundível de personagens que atravessam gerações. Na formação profissional, ecoa na atuação de ex-alunos e colegas que levam adiante técnicas e escolhas interpretativas compartilhadas em estúdio e sala de aula.

O desafio, para estúdios, fãs e novos dubladores, será manter viva essa herança sem transformar o luto em paralisia. A trajetória de Figueira Júnior ajuda a explicar por que a dublagem brasileira conquista prestígio internacional e por que a ausência de uma única voz pode reorganizar todo um universo de personagens.

Quem é o dublador Figueira Júnior?

Figueira Júnior é um dublador brasileiro que atua por quase quatro décadas, conhecido por vozes como o Androide 17, em “Dragon Ball”, e Fry, em “Futurama”.

Quem foi o dublador que morreu recentemente?

O dublador que morre em 26 de agosto de 2022 é Figueira Júnior, aos 60 anos, voz de personagens como o Androide 17 e Philip J. Fry.


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