Quase seis anos após o turbulento lançamento em dezembro de 2020, Cyberpunk 2077 volta ao topo das listas de vendas digitais em 2026 e ajuda a redesenhar o gênero cyberpunk nos games. O jogo da CD Projekt RED, hoje em destaque nas promoções da Nintendo eShop, divide o holofote com No Law, novo título da Neon Giant que aposta em gráficos fotorrealistas com Unreal Engine 5.
De promessa quebrada a caso de recuperação
Antes de chegar às lojas, Cyberpunk 2077 fazia parte do imaginário coletivo dos jogadores. A campanha de divulgação criava expectativa em torno de Night City, da personalização do protagonista V e da ambição de um mundo aberto diferente de tudo. “Cyberpunk 2077 fazia os jogadores sonharem com os cenários de Night City, as possibilidades de personalização do personagem V e a promessa de um mundo aberto rico, único e verdadeiramente emocionante”, lembra o site IGN Brasil.
O choque vem no lançamento. Em dezembro de 2020, o jogo chega cheio de bugs, travamentos e falhas de desempenho, principalmente nos consoles da geração anterior. A frustração domina fóruns, redes sociais e análises especializadas. A imagem da CD Projekt RED, até então associada ao sucesso da série The Witcher, sofre um abalo raro para um estúdio desse porte.
Nos anos seguintes, a desenvolvedora entra em modo contenção de danos. Atualizações sucessivas tentam consertar bugs críticos, melhorar performance e ajustar sistemas de jogo. O estúdio lança também uma DLC robusta, Phantom Liberty, que reforça a campanha principal com novas missões, personagens e áreas na metrópole futurista. A estratégia funciona aos poucos: a comunidade volta para Night City, agora mais estável, e passa a reconhecer a dimensão do projeto original.
Descontos agressivos e a força do Nintendo Switch 2
Em 2026, o jogo reaparece em outro contexto. Cyberpunk 2077 ps5, Cyberpunk 2077 xbox e a versão para PC continuam presentes nas vitrines digitais, mas o destaque recente vem da Nintendo eShop. No ambiente dos consoles híbridos da Nintendo, Cyberpunk 2077 preço cai de forma dramática: o título aparece em campanhas com descontos de até 90% até julho de 2026.
O movimento coincide com a força comercial do Nintendo Switch 2, que ultrapassa 5,9 milhões de unidades vendidas nos Estados Unidos em maio de 2026. A base instalada crescente amplia o alcance das promoções digitais e torna o jogo atraente para um público sensível a ofertas, que talvez tenha ignorado o lançamento original. A lista de mais vendidos na eShop nacional, compilada por Felipe Lima, do Universo Nintendo, mostra Cyberpunk 2077 ao lado de sucessos como Dave the Diver em pacotes com forte apelo de custo-benefício.
Essa combinação de correções técnicas, DLC relevante e marketing agressivo transforma um caso que parecia condenado em exemplo de recuperação de imagem. O setor de desenvolvimento acompanha o processo de perto. Atualizações pós-lançamento deixam de ser apenas correções pontuais e passam a ser vistas como última linha de defesa para projetos gigantescos que tropeçam na estreia.
No Law eleva a régua tecnológica do gênero
Enquanto Cyberpunk 2077 reconquista terreno, o gênero ganha um novo candidato a destaque. A Neon Giant, conhecida por The Ascent, apresenta No Law durante o State of Unreal 2026. A demonstração técnica revela Port Desire, uma cidade densa, vertical e saturada de neons, construída sobre os recursos mais avançados da Unreal Engine 5.
O diretor criativo Tor Frick explica que o salto visual só é possível graças às ferramentas internas do motor gráfico. “Foram as ferramentas internas da Unreal Engine 5, como Nanite, MetaHuman e Lumen, que permitiram que sua pequena equipe criasse uma cidade tão densa”, afirma. Na prática, essas tecnologias permitem geometria extremamente detalhada, iluminação global dinâmica e personagens com traços faciais e movimentação mais próximos do real.
A demonstração impressiona, mas também desperta um tipo específico de cautela. Depois do lançamento problemático de Cyberpunk 2077, parte do público olha com desconfiança para qualquer promessa de mundo aberto futurista com gráficos “de próxima geração”. Frick e sua equipe precisam convencer esse público de que o visual de Port Desire não é apenas um trailer bem montado, mas uma experiência que se mantém estável em hardware doméstico.
Diversidade em Night City e além dela
Se a capa de Cyberpunk 2077 é o brilho de Night City, o miolo do jogo se firma em outro aspecto: a representatividade. A obra da CD Projekt RED entra para a lista de franquias de grande orçamento que tratam personagens LGBT+ como parte natural de seu universo, não como exceção decorativa.
A comunicadora e especialista em conteúdo gamer Rachele Victoria destaca o papel central do protagonista nas discussões sobre identidade. “O protagonista V pode ser interpretado como bissexual ou pansexual, dependendo das escolhas de romance feitas pelo jogador durante a campanha”, explica. As rotas de relacionamento incluem parceiros de diferentes gêneros, e o jogo permite construir versões de V que rompem com padrões tradicionais de corpo e voz.
Outros personagens reforçam essa abordagem. Kerry Eurodyne, integrante da banda Samurai e um dos interesses românticos, é descrito pelos desenvolvedores como bissexual com forte preferência por homens. Johnny Silverhand, interpretado por Keanu Reeves, também é oficialmente apresentado como bissexual, informação presente em diálogos e materiais complementares do universo de Cyberpunk 2077. Essa combinação de protagonistas e coadjuvantes queer aproxima o jogo de uma tendência mais ampla, vista também em franquias como The Last of Us, Overwatch, Baldur’s Gate 3 e Life is Strange.
Para Rachele Victoria, a transformação é nítida. A presença de personagens LGBT+ “deixou de ser exceção para se tornar parte natural das histórias” e amplia as chances de identificação para milhões de jogadores. No campo mercadológico, o movimento pressiona concorrentes a aprofundar diversidade de elenco e de narrativas, sob pena de parecerem datados diante de um público mais atento a essas discussões.
Um gênero em disputa entre tecnologia e confiança
A trajetória de Cyberpunk 2077, somada à chegada de No Law, ajuda a delinear um novo cenário para o gênero. A partir de 2026, jogos cyberpunk precisam equilibrar três frentes: ambição tecnológica, estabilidade no lançamento e sensibilidade às mudanças sociais. Gráficos fotorrealistas, como os de Port Desire, já não bastam. O público pede mundos ricos, com espaço para múltiplas identidades, e espera que o produto funcione desde o primeiro dia.
Para a CD Projekt RED, o desafio agora é manter Night City relevante com novos conteúdos, possivelmente expandindo o legado de Phantom Liberty. Para a Neon Giant, o teste será transformar a vitrine tecnológica de No Law em um jogo completo, capaz de lidar com a memória recente de lançamentos que prometeram demais. Entre uma cidade e outra, Night City e Port Desire, o gênero cyberpunk tenta provar que ainda tem muito a dizer sobre o futuro – dentro e fora das telas.
Cyberpunk 2077 foi um fracasso?
O lançamento em dezembro de 2020 é marcado por bugs e críticas pesadas, sobretudo nos consoles antigos. Com atualizações, DLC e promoções, o jogo se recupera e volta a vender bem.
O Cyberpunk 2077 é gratuito?
Não. O jogo continua sendo pago, mas aparece com descontos agressivos em promoções digitais, como na Nintendo eShop, onde já chegou a até 90% off.
Quando o Cyberpunk 2077 foi lançado?
Cyberpunk 2077 é lançado em dezembro de 2020 para consoles e PC, com versões aprimoradas chegando depois para plataformas mais recentes.
É possível namorar em Cyberpunk 2077?
Sim. O protagonista V pode se envolver romanticamente com diferentes personagens, de vários gêneros, e pode ser interpretado como bissexual ou pansexual conforme as escolhas do jogador.