Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+: conheça marcos da luta por direitos no Brasil

Movimento que começou de forma clandestina durante a ditadura militar transformou a Parada de São Paulo em um evento global e garantiu vitórias cruciais no STF.
Redação NC News
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A primeira Parada do Orgulho da história completou 56 anos, um marco global de resistência que reverbera profundamente no Brasil. Do outro lado do Atlântico, a organização ativa do movimento brasileiro começou em 1978, em pleno regime da ditadura cívico-militar — um período marcado pela perseguição a homossexuais e travestis sob a justificativa de “patologia” e “ordem social”.

Foi nesse cenário de repressão que nasceu, em São Paulo, o grupo Somos (inicialmente chamado de Núcleo de Ação pelos Direitos dos Homossexuais). Com a liderança de nomes como João Silvério Trevisan e João Antônio Mascarenhas, o grupo também ajudou a fundar o lendário jornal Lampião da Esquina, o primeiro periódico do país dedicado a dar voz às pessoas dissidentes e driblar a censura da época. Na Bahia, o ativismo ganhou força em 1980 com Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), pioneiro no levantamento de dados sobre crimes de ódio.

A tomada da Avenida Paulista

A semente plantada nos anos 70 germinou na primeira edição da Parada Gay de São Paulo, realizada em 28 de junho de 1997. Com o tema “Somos muitos, estamos em várias profissões”, o evento reuniu cerca de duas mil pessoas e contou com um ato histórico de resistência civil:

Para garantir que a marcha acontecesse, a drag queen Kaká Di Polly deitou-se no asfalto da Avenida Paulista, interrompendo o fluxo de veículos e forçando a liberação da via para que o desfile seguisse sob chuva até a Praça Roosevelt.
O crescimento foi exponencial. Em 2006, o Guinness Book registrou o evento paulista como a maior parada do mundo (2,5 milhões de pessoas), número que saltou para 4,5 milhões em 2012. Na edição de 2026, com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, a festa política contou com shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias e Majur.

A evolução da sigla e a conquista de direitos

Acompanhando as transformações sociais, a forma como a comunidade se identifica também evoluiu para abraçar a pluralidade de existências. A nomenclatura utilizada ao longo das décadas reflete essas mudanças:

  • Anos 1970 (Movimento Homossexual Brasileiro): O foco inicial era voltado quase exclusivamente para as lutas de gays e lésbicas.
  • Anos 1990 (GLS): A sigla para “Gays, Lésbicas e Simpatizantes” ganhou força, sendo um termo com forte apelo de mercado e comércio.
  • 2008 (LGBT): A mudança foi oficializada em uma conferência nacional para dar protagonismo e destaque à pauta lésbica, colocando o “L” à frente.
  • A partir de 2010 (LGBTQIAPN+): A sigla foi expandida para garantir a inclusão de pessoas Queer, Intersexo, Assexuais, Panssexuais, Não-binários e outras identidades de gênero e orientações sexuais representadas pelo símbolo de adição (+).

No campo jurídico e da saúde, as vitórias da comunidade foram conquistadas com muita pressão, frequentemente suprindo a omissão do Poder Legislativo. Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças, feito acompanhado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) no Brasil em 1999.

Entre os principais marcos legais recentes, destacam-se a instituição do Processo Transexualizador no SUS (2008), o reconhecimento da união estável pelo STF (2011), a garantia do casamento em cartório pelo CNJ (2013), o direito ao uso do nome social (2016) e a histórica criminalização da homofobia e transfobia pelo STF em 2019, equiparando-as ao crime de racismo.

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