Uma influenciadora digital investigada por suspeita de divulgar plataformas de jogos ilegais e lavar dinheiro chamou a atenção da Polícia Civil do Tocantins pelo estilo de vida de luxo exibido nas redes sociais. Segundo a investigação, ela mantinha uma rotina de viagens internacionais, possuía veículos de alto padrão, comprou um imóvel à vista e chegou a fazer ameaças contra pessoas que cogitavam denunciar as plataformas de apostas promovidas por ela.
O caso ganhou novos desdobramentos neste fim de semana, quando vieram a público detalhes da investigação que apura um suposto esquema de exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda oficialmente declarada pela influenciadora.
A Polícia Civil investiga a influenciadora por suspeita de utilizar as redes sociais para divulgar plataformas de apostas ilegais e promover sorteios sem autorização.
Segundo os investigadores, ela teria recebido pagamentos de empresas ligadas ao setor de apostas conforme o desempenho dos seguidores nas plataformas divulgadas, transformando a atividade em sua principal fonte de renda.
Durante a operação policial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à investigada. Também houve bloqueio judicial de bens e contas bancárias para garantir eventual ressarcimento ao Estado e impedir a continuidade das atividades investigadas.
O que chamou a atenção da investigação?
De acordo com os investigadores, um dos principais indícios foi a diferença entre a renda oficialmente declarada pela influenciadora, entre cerca de R$ 1,9 mil e R$ 5 mil por mês, e o patrimônio acumulado em pouco tempo.
Entre os bens e despesas identificados pela polícia estão:
apartamento adquirido à vista;
caminhonetes e SUV de alto valor;
viagens frequentes para Europa, Caribe e Oriente Médio;
passagens por destinos como Maldivas, Dubai, Londres, Paris, Las Vegas e Curaçao;
registros em cassinos durante viagens internacionais.
Os investigadores classificaram esse padrão como “sinais exteriores de riqueza”, incompatíveis com a renda declarada.
Segundo a Polícia Civil, a influenciadora divulgava plataformas de apostas para seus seguidores e recebia repasses financeiros relacionados ao volume de apostas realizadas.
As investigações apontam ainda movimentações milionárias por meio de empresas intermediadoras de pagamentos, além da suspeita de utilização de técnicas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Uma das práticas investigadas é o chamado “smurfing”, que consiste em realizar diversos saques ou transferências em valores menores para evitar alertas automáticos dos órgãos de controle financeiro.
Ameaças contra seguidores também são investigadas
Outro ponto destacado pela polícia envolve o comportamento da investigada nas redes sociais.
Segundo o inquérito, ela teria publicado vídeos com ameaças direcionadas a pessoas que afirmavam ter intenção de denunciar as plataformas de apostas divulgadas por ela.
Esse material passou a integrar as provas analisadas durante a investigação.
Após a operação, a influenciadora publicou um vídeo nas redes sociais negando qualquer irregularidade.
Ela afirmou que todos os bens estão registrados em seu nome, disse não utilizar “laranjas” e ressaltou que não existe condenação judicial contra ela.
Também declarou que colaborou com os policiais durante o cumprimento dos mandados e classificou a ação como parte de um procedimento investigativo.
A Polícia Civil pretende aprofundar a análise das movimentações financeiras, da origem dos recursos e da relação entre os pagamentos recebidos e as plataformas de apostas divulgadas nas redes sociais.
Até o momento, a influenciadora é investigada e não foi condenada. O caso segue sob apuração e caberá à Justiça decidir sobre eventuais denúncias que venham a ser apresentadas pelo Ministério Público.
Nos últimos anos, as autoridades brasileiras intensificaram operações contra influenciadores suspeitos de utilizar redes sociais para promover plataformas de apostas ilegais e ocultar recursos por meio de esquemas de lavagem de dinheiro.
A estratégia investigada normalmente envolve o uso da influência digital para atrair novos apostadores, enquanto pagamentos recebidos das plataformas seriam posteriormente ocultados por diferentes mecanismos financeiros. O crescimento desse tipo de investigação acompanha a expansão do mercado de apostas online e o aumento da fiscalização sobre atividades consideradas ilegais pelas autoridades