A ilha tupinambarana tem um novo soberano! O Boi Caprichoso consagrou-se o grande campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins. Defendendo o tema “Brinquedo Que Canta seu Chão”, a agremiação azul e branca conquistou o 27º título de sua história, coroando um espetáculo grandioso realizado entre os dias 26 e 28 de junho.
A definição do título ocorreu na tarde desta segunda-feira (29) durante a apuração no Bumbódromo. Em uma disputa voto a voto, o Caprichoso empatou com o rival na primeira noite e venceu as duas noites seguintes, encerrando a contagem com 1.259,0 pontos, contra 1.258,3 pontos do Garantido. Os jurados avaliaram 21 itens obrigatórios, incluindo apresentador, cunhã-poranga, alegorias, ritual indígena e evolução.
Ao deixar a arena após a confirmação das notas, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoêdo, celebrou a conquista em meio à multidão azulada. “A gente vai curtir o festival, aproveitar o festival. Hoje é um dia de festa, é um dia de coisas boas, é um dia de vitória. Vamos pra cima”, declarou.
O caminho para o título: As três noites de espetáculo
Durante os três dias de evento, o Caprichoso levou à arena um misto de lendas amazônicas, valorização dos povos originários e homenagens às culturas indígena e afro-brasileira.
Primeira Noite (“Parintins – O Chão de Origem”)
O espetáculo focou na identidade cultural da ilha e nos povos originários. O grande destaque foi a evolução da cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que surgiu da imponente alegoria “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”, além das participações da sinhazinha Valentina Cid e da rainha do folclore Cleise Simas.
Segunda Noite
Com a Amazônia como território sagrado, a agremiação defendeu a preservação ambiental. O bumbá encenou a lenda do “Curupira – O Guardião da Vida” e exaltou “Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia”. O ápice da noite foi o “Ritual de Transcendência Asurini – Maraká”, reafirmando a espiritualidade indígena.
Terceira Noite
Para fechar com chave de ouro, o Caprichoso surpreendeu ao surgir dos céus com o levantador Patrick Araújo. A noite contou com a lenda “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, a exaltação cultural “O Auto do Boi Brasileiro” e encerrou com o impactante “Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin”, comandado pelo pajé Erick Beltrão.