Esquema milionário de roubo de baterias atinge fábrica da Tesla e expõe falhas na segurança

Criminosos usavam documentos falsificados para retirar caminhões carregados da Gigafactory, nos Estados Unidos; prejuízo pode chegar a milhões de dólares
Redação NC News
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A Tesla enfrenta uma investigação envolvendo uma série de roubos de baterias em sua Gigafactory, localizada no estado de Nevada, nos Estados Unidos. Segundo as autoridades, criminosos conseguiram retirar caminhões carregados com equipamentos da empresa utilizando documentos falsificados, sem despertar suspeitas durante o processo de retirada das cargas.

Os casos começaram a ser registrados no fim de 2023 e se intensificaram ao longo de 2024. Até o momento, pelo menos 11 grandes roubos são investigados, envolvendo baterias destinadas a veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia residencial. O prejuízo é estimado em milhões de dólares.

O que aconteceu?

De acordo com a investigação, o grupo criminoso utilizava uma estratégia sofisticada para enganar os controles de logística da fábrica.

Os suspeitos se apresentavam como representantes de uma transportadora autorizada e exibiam documentos de transporte e carteiras de habilitação falsificadas. Com isso, conseguiam retirar caminhões carregados diretamente da unidade industrial.

A fraude só era percebida depois que a carga não chegava ao destino previsto.

Como funcionava o esquema?

As investigações apontam que a organização criminosa aproveitava brechas no sistema de conferência das cargas.

Após retirar os caminhões da fábrica, os criminosos levavam os veículos para locais afastados. Em um dos episódios investigados, dois reboques carregados com sistemas Powerwall, avaliados em mais de US$ 950 mil, foram encontrados vazios a centenas de quilômetros da Gigafactory.

A suspeita é de que as baterias fossem rapidamente descarregadas e redistribuídas para dificultar o rastreamento.

Quem está sendo investigado?

Até o momento, três pessoas foram presas suspeitas de participação no esquema. Elas respondem por crimes relacionados à posse e comercialização de produtos roubados.

Os investigadores acreditam, no entanto, que o grupo seja muito maior e faça parte de uma organização criminosa especializada em fraudes logísticas e desvio de cargas de alto valor.

As apurações continuam para identificar outros envolvidos e localizar parte dos equipamentos desaparecidos.

Baterias começaram a aparecer no mercado

Parte das baterias roubadas já teria sido colocada à venda em plataformas do mercado secundário.

A Tesla alerta que equipamentos desviados podem ter seus números de série bloqueados pela fabricante. Caso isso aconteça, os dispositivos deixam de receber atualizações oficiais de software e podem apresentar restrições de funcionamento.

Especialistas orientam consumidores e empresas a verificarem a origem dos equipamentos antes de qualquer compra.

Impacto para a Tesla

Além do prejuízo financeiro, o caso levanta dúvidas sobre os protocolos de segurança adotados em uma das maiores fábricas de veículos elétricos do mundo.

A facilidade com que os suspeitos conseguiram retirar cargas de alto valor chamou a atenção das autoridades responsáveis pela investigação e colocou em discussão os procedimentos de conferência utilizados na unidade.

A expectativa é que a empresa revise seus sistemas de identificação de transportadoras, liberação de mercadorias e monitoramento logístico para evitar novos episódios semelhantes.

Como funcionava o esquema

  • Uso de documentos falsificados;
  • Entrada como transportadora autorizada;
  • Retirada dos caminhões;
  • Descarga rápida das baterias;
  • Revenda dos equipamentos.

Entenda o contexto

As baterias produzidas pela Tesla estão entre os componentes mais valiosos da indústria de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Por isso, são alvo frequente de quadrilhas especializadas em roubo de cargas de alto valor.

O caso em Nevada evidencia como organizações criminosas têm investido em fraudes documentais para burlar sistemas de logística, substituindo ações violentas por esquemas sofisticados de engenharia social e falsificação de documentos. Enquanto as investigações continuam, a expectativa é de que novos protocolos de segurança sejam implementados para reforçar o controle sobre a saída de mercadorias das instalações da empresa.

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