O senador Romário (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (1º) que vai devolver o salário referente ao período em que permanece nos Estados Unidos acompanhando o principal torneio de seleções do planeta. O anúncio foi feito durante participação por videoconferência em uma sessão do Senado Federal.
O ex-jogador, que também atua nas transmissões da CazéTV durante a competição, vinha sendo alvo de críticas por faltar às atividades presenciais da Casa Legislativa enquanto acompanha os jogos no exterior. Diante da repercussão, ele informou ter solicitado oficialmente a suspensão dos pagamentos durante sua ausência.
O que aconteceu?
Romário declarou que abriu mão, de forma voluntária, da remuneração correspondente aos dias em que está fora do país acompanhando o torneio mundial.
Segundo o parlamentar, um ofício já foi encaminhado à presidência do Senado comunicando a decisão e pedindo a interrupção dos pagamentos enquanto permanecer nos Estados Unidos.
Durante o pronunciamento, o senador afirmou que qualquer valor eventualmente recebido será devolvido integralmente aos cofres públicos.
“Voluntariamente, abri mão do meu salário por todo o período em que estarei acompanhando a Copa. Não receberei salário, desde o primeiro dia da Copa. O que for pago, será devolvido aos cofres públicos”, declarou.
Por que Romário foi criticado?
As críticas surgiram após a ausência do senador em sessões presenciais do Senado durante o período da competição internacional.
Nas redes sociais e entre opositores, houve questionamentos sobre a compatibilidade entre o exercício do mandato parlamentar e a participação nas transmissões esportivas realizadas nos Estados Unidos.
Romário, que construiu uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol brasileiro antes de ingressar na política, integra atualmente a equipe da CazéTV na cobertura do torneio.
O caso reacendeu debates sobre a presença de parlamentares em atividades externas e sobre a necessidade de prestação de contas à população em situações semelhantes.
O que diz a presidência do Senado?
Após a fala de Romário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa do colega e afirmou que o parlamentar está sendo alvo de ataques excessivos.
Alcolumbre elogiou a trajetória esportiva e política do senador e classificou as críticas como parte do ambiente de polarização que marca a política brasileira.
Segundo ele, a decisão de abrir mão da remuneração demonstra compromisso com o interesse público e busca evitar questionamentos sobre o uso de recursos públicos durante a viagem.
Como funciona o salário de um senador?
Os senadores brasileiros recebem remuneração mensal fixa durante o exercício do mandato, além de verbas destinadas ao funcionamento dos gabinetes e às atividades parlamentares.
Em situações específicas, parlamentares podem optar por abrir mão de vencimentos ou devolver valores recebidos, desde que formalizem o pedido junto à administração da Casa.
No caso de Romário, a devolução foi apresentada como uma decisão voluntária, tomada em resposta às críticas sobre sua permanência no exterior durante o torneio.
Quem é Romário na política brasileira?
Romário iniciou sua trajetória política em 2010, quando foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Posteriormente, conquistou uma vaga no Senado e acabou reeleito para o cargo.
Ao longo dos anos, tornou-se uma das figuras mais conhecidas da política nacional, muito em função da enorme popularidade construída no futebol, especialmente após o título mundial conquistado pela Seleção Brasileira em 1994.
No Senado, sua atuação tem sido marcada por pautas relacionadas ao esporte, inclusão de pessoas com deficiência e fiscalização de políticas públicas.
Qual o impacto do caso?
O episódio reforça o debate sobre transparência, responsabilidade e prestação de contas no exercício dos mandatos parlamentares.
Para apoiadores, a devolução do salário demonstra compromisso ético e respeito ao dinheiro público. Já críticos argumentam que a discussão vai além da remuneração e envolve a dedicação integral às funções legislativas durante o mandato.
O caso também evidencia como a exposição nas redes sociais amplia a cobrança sobre autoridades públicas, especialmente quando elas conciliam atividades políticas e profissionais paralelas.
O que acontece agora?
A expectativa é que o Senado analise administrativamente o pedido encaminhado por Romário para formalizar a suspensão dos pagamentos durante o período informado pelo parlamentar.
Caso algum valor já tenha sido depositado, o senador afirmou que realizará a devolução integral aos cofres públicos.
Enquanto isso, ele segue nos Estados Unidos participando da cobertura do principal torneio de seleções do planeta.
Linha do tempo de Romário:
- 2010: eleito deputado federal
- 2014: eleito senador pelo Rio de Janeiro
- 2022: reeleito para o Senado
- 2026: participa da cobertura do torneio mundial nos EUA e anuncia devolução do salário durante o período
Entenda o contexto
A presença de parlamentares em eventos internacionais ou atividades paralelas costuma gerar discussões sobre transparência e dedicação ao mandato.
No caso de Romário, o debate ganhou repercussão por envolver uma figura pública que reúne duas trajetórias de grande visibilidade: a de ex-jogador campeão mundial e a de senador da República.
A decisão de devolver os salários busca responder às críticas e afastar questionamentos sobre eventual uso de recursos públicos durante o período em que acompanha o torneio nos Estados Unidos.
O episódio também reflete uma cobrança cada vez maior da sociedade por prestação de contas e transparência por parte de representantes eleitos.