O Corinthians rescinde, na tarde de 1º de julho de 2026, o contrato do atacante Kawe Klayver e inicia, no mesmo dia, uma operação de limpeza e manutenção completa na Neo Química Arena. A decisão mexe com a base alvinegra, que já registra 37 saídas no ano, e com a casa do time, que passa por uma intervenção planejada para durar cerca de 90 dias.
Ajuste duro na base em ano de cortes
A rescisão de Kawe aparece no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF e confirma um movimento que vem se desenhando desde o início da temporada. O executivo das categorias de base, Erasmo Damiani, conduz uma política de redução da folha e de foco em quem está no radar imediato da equipe principal. O recado é claro: menos elenco inflado, mais espaço para quem pode subir em breve.
Kawe integra a lista de 29 jogadores liberados para buscar novos clubes em 2026. “Kawe era um dos 29 jogadores que podia buscar novos clubes, em lista feita pela diretoria alvinegra no início do ano”, registra o portal Meu Timão. No total, já são 37 saídas contabilizadas na base nesta temporada, entre rescisões, empréstimos e liberações.
Dentro de campo, o atacante não é um nome qualquer no Sub-17. São 37 partidas pelo Corinthians na categoria, com oito gols, três assistências e presença como titular em todos os jogos, com aproveitamento de 65% da equipe nesse período. O desempenho, porém, não garante espaço no novo desenho traçado pela comissão técnica.
O técnico William Batista prioriza outras peças para o ataque. Níccolas, de 18 anos, ganha protagonismo aberto pelos lados, enquanto Luiz Fábio e Luiz Fernando aparecem entre os titulares. A escolha de concentrar minutos e investimento em um grupo menor de atletas, apontados como mais prontos, reforça a lógica de enxugamento em ano de aperto financeiro.
O movimento também se insere em um contexto mais amplo de pressão sobre as contas do clube. Em abril, o Corinthians fecha o mês com déficit de R$ 168 milhões, segundo balanços recentes, e passa a mirar qualquer margem possível de corte. A base, tradicional celeiro e ativo financeiro alvinegro, vira alvo de reorganização profunda, com impacto direto no cotidiano de jovens que agora tentam se recolocar no mercado.
Neo Química Arena entra em obra silenciosa
Enquanto a base muda de cara, a Neo Química Arena começa a ser lavada de cima a baixo. A limpeza geral do estádio em Itaquera também tem início em 1º de julho, em uma janela sem partidas, e deve se estender por cerca de 90 dias. A ideia é entregar o palco renovado antes do duelo contra o Remo, em 23 de julho, pelo Campeonato Brasileiro.
A diretoria aproveita a paralisação do calendário para uma intervenção rara em escala. O plano inclui lavagem da cobertura e dos vidros, limpeza interna e externa, revitalização das fachadas, manutenção da estrutura e troca das lâmpadas do átrio. “A contratação da empresa responsável passou por um processo de chamamento, análise de propostas e aprovação técnica, incluindo a emissão dos laudos de segurança necessários pelo SESMT antes do início das atividades”, informa o jornal O Tempo.
Os trabalhos começam pelos vidros da cobertura do Setor Oeste, com nove profissionais pendurados na estrutura e deslocando equipamentos por áreas estratégicas. A operação deve ganhar corpo nas semanas seguintes, com aumento da equipe e avanço sobre arquibancadas, corredores, camarotes e demais dependências. A própria Neo Química Arena divulga imagens que mostram plataformas elevadas e jatos d’água alcançando pontos antes inalcançáveis em limpezas de rotina.
O cronograma, porém, já nasce com atraso em relação ao plano inicial. “A diretoria pretendia dar início aos trabalhos no começo da pausa para a Copa do Mundo, mas o cronograma foi adiado por questões burocráticas”, relata o ge, citando a contratação da empresa, a definição do orçamento e a assinatura do contrato, além da necessidade de um certificado de segurança para a atuação dos funcionários.
Paralelo à limpeza, o Corinthians também realiza a troca do gramado. A medida busca garantir um campo em melhores condições para a sequência do Brasileiro, reduzindo o risco de lesões e reclamações sobre a qualidade do piso. O clube promete atualizações periódicas sobre cada etapa concluída.
Quem ganha com as mudanças
As decisões da diretoria mexem com frentes distintas, mas dialogam entre si. No futebol de base, a aposta é que um elenco mais enxuto permita investir melhor em estrutura, comissões técnicas e atletas que efetivamente integram o plano de carreira até o profissional. A curto prazo, jovens como Níccolas, Luiz Fábio e Luiz Fernando ganham espaço, minutos e visibilidade. A médio prazo, o clube espera transformar essas apostas em reforços para o time principal ou em vendas que aliviem contas pressionadas.
Do outro lado, nomes como Kawe lidam com a ruptura precoce. Aos 17 anos, o atacante deixa o Corinthians com números sólidos no Sub-17, mas sem a chance de testar o salto para categorias acima em Itaquera. O destino ainda é incerto, e a rescisão devolve ao mercado dezenas de garotos formados ou lapidados no clube, que agora disputam vagas em estruturas menos conhecidas e, muitas vezes, menos estáveis.
Na Neo Química Arena, o impacto recai sobre torcedores, patrocinadores e autoridades. Um estádio limpo, com fachadas revitalizadas, iluminação renovada e laudos de segurança em dia, tem potencial para melhorar a experiência em dias de jogo, reforçar a imagem de profissionalismo e atrair novos parceiros comerciais. Para o Corinthians, dono de uma das folhas salariais mais pesadas do país, cuidar do patrimônio físico também significa evitar gastos maiores no futuro com reparos emergenciais ou problemas estruturais.
Pressão, teste e expectativa para o retorno
As próximas semanas funcionam como um teste silencioso da nova diretriz corinthiana. Na base, caberá a William Batista provar que o corte de elenco se traduz em desempenho, seja na formação de atletas para o profissional, seja nos resultados em campo. A diretoria, por sua vez, será cobrada por torcedores que veem a base como caminho para reduzir contratações caras e erráticas.
Na arena, a volta ao calendário em 23 de julho, contra o Remo, deve marcar a primeira impressão do torcedor sobre as mudanças. Vidros mais limpos, fachadas renovadas e gramado novo estarão sob escrutínio nas arquibancadas e nas transmissões de TV, da Gazeta Corinthians à ESPN Corinthians, passando por ge e UOL Corinthians. A impressão deixada pode influenciar até negociações futuras de naming rights e camarotes.
Em um clube acostumado a conviver com manchetes sobre déficit, dívidas e cobranças políticas, o pacote de medidas aponta para uma tentativa de gestão mais racional, ainda que dolorosa para parte dos jovens da base. O Corinthians entra no segundo semestre de 2026 pressionado por resultados em campo e na contabilidade. Enxugar o elenco de formação e lavar às pressas a sua casa em Itaquera são apenas os primeiros capítulos de uma temporada em que cada decisão, dentro e fora das quatro linhas, tende a ser medida com lupa.