Hikaru Kurosaki, o ator japonês que interpreta o herói da série “O Fantástico Jaspion”, morre aos 64 anos em Motobu, na ilha de Okinawa. A morte vem a público nesta quinta-feira (2), em comunicado de colegas da Associação de Mergulho local. A data exata e a causa do falecimento não são informadas.
Ícone da TV brasileira e mestre do mergulho em Okinawa
Para quem cresceu diante da televisão no fim dos anos 1980, o rosto de Kurosaki é sinônimo de uma era. “O Fantástico Jaspion”, exibida originalmente no Japão entre 1985 e 1986, chega ao Brasil em 1988 pela Rede Manchete e vira febre entre crianças e adolescentes. Bordões como “Pela luz de Daileon!” entram no vocabulário popular e ajudam a consolidar o gênero tokusatsu, as séries japonesas de ação com atores reais e efeitos especiais.
No Japão, a série tem desempenho apenas mediano. No Brasil, transforma um jovem dublê e ator em ídolo instantâneo. Décadas depois, a expressão “ator do Jaspion faleceu” ocupa redes sociais e fóruns de fãs, misturando luto e nostalgia. Ao mesmo tempo, em Motobu, mergulhadores perdem um instrutor experiente, que atua na região há mais de 30 anos.
Do palco de ação ao fundo do mar
Nascido Seiki Kurosaki em 31 de janeiro de 1962, na cidade de Sakai, ele se interessa cedo por cenas de ação. Aos 16 anos, entra na Japan Action Club (JAC), grupo criado pelo astro e dublê Sonny Chiba. Começa como dublê e suit actor, termo usado para quem veste roupas de monstros e robôs em produções de efeito.
Antes de se tornar o protagonista de Jaspion, Kurosaki participa da versão japonesa de Homem-Aranha, de Battle Fever J e de Denshi Sentai Denjiman. No set, aprende a coreografar lutas, calcular saltos e cair sem se machucar. Parte dessas habilidades ele mesmo leva para o herói que o tornaria conhecido fora do Japão.
Em 1985, é escolhido para viver o protagonista de “O Fantástico Jaspion”, produção da Toei Company. Kurosaki grava muitas das próprias cenas de luta, mas a armadura metálica do herói fica a cargo do dublê Noriaki Kaneda nas sequências mais complexas. A famosa pose de transformação, com o corpo de lado e a mão à frente, nasce de sua criação.
Depois do fim da série e de participações em filmes voltados ao público infantil e familiar, a carreira toma outro rumo. No começo da década de 1990, após desentendimentos com Sonny Chiba, Kurosaki decide abandonar a atuação. Em entrevista à revista brasileira Henshin, em 2001, ele relata esse rompimento como ponto de virada pessoal.
Ele se muda então para Okinawa, no extremo sul do Japão, e troca o set de filmagem pelo mar. Funda a escola de mergulho Mother Earth nos anos 1990 e passa a atuar como instrutor e guia, recebendo turistas e formando novos profissionais. Ao lado da esposa, a atriz e ex-dublê Yuko Asuka, conhecida como a vilã Farrah em “Bioman”, constrói a nova fase da vida. O casal permanece junto até a morte de Yuko, em 2011, sem filhos.
Comunicado discreto, como era a vida recente do ator
A notícia da morte circula primeiro entre mergulhadores. Em publicação no Facebook, Masaki Sekiguchi, amigo e colega de profissão, assina o comunicado em nome da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu. O texto é objetivo, quase burocrático, mas deixa escapar o peso da perda.
“Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Kurosaki, da operadora Mother Earth, membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu. Como o Sr. Kurosaki morava sozinho, enviamos este comunicado para informar as empresas e parceiros do setor”, escreve Sekiguchi. Ele lembra a chegada do ator à região, no início da expansão do turismo de mergulho: “Desde que o Sr. Kurosaki mudou-se para Motobu, há mais de 30 anos, ele foi um companheiro com quem compartilhamos momentos de alegria e dificuldade — em uma época em que existiam apenas cerca de seis operadoras de mergulho na região. Descanse em paz”.
Em outra mensagem, Sekiguchi resume a relação entre os dois fora das câmeras: eles se apoiam mais na presença do que nas palavras. A frase ecoa um traço comum em relatos sobre Kurosaki na fase longe da TV, de vida discreta e rotina concentrada no mar de Okinawa.
Luto entre colegas de tokusatsu e fãs brasileiros
Entre atores de tokusatsu, o nome de Hikaru Kurosaki ainda carrega peso. Hiroshi Watari, que vive o xerife espacial Boomerang na série e contracena com ele em palco e televisão, reage com choque ao saber da morte. “Estou chocado com a notícia da morte do Kurosaki Hikaru. Este ano, muitos colegas da JAC partiram. Nunca esquecerei o que aprendi no palco do Shinjuku Koma Theater e no set de Jaspion. Obrigado”, escreve o ator nas redes sociais.
A mensagem expõe uma sensação de fim de ciclo entre artistas da geração formada na Japan Action Club. Muitos deles, como Watari, atravessam décadas presentes na memória dos fãs brasileiros sem, no entanto, frequentar o noticiário cotidiano no Japão.
No Brasil, onde “O Fantástico Jaspion” mantém reprises, exibições esporádicas e presença constante em eventos de cultura pop, a morte de Kurosaki tende a provocar uma onda de homenagens. Organizadores de convenções, colecionadores e páginas dedicadas ao elenco de Jaspion já começam a resgatar fotos de bastidores, curiosidades de produção e trechos de episódios. A frase “ator de Jaspion hoje” passa a ser digitada não só por curiosidade, mas para entender o fim da trajetória de um ídolo distante.
Legado de um herói improvável
Aos 64 anos, Kurosaki deixa uma carreira partida ao meio, mas coerente com suas escolhas. No primeiro ato, um jovem especialista em quedas coreografadas vira herói de TV e marca a infância de milhões de brasileiros, num país em transição democrática e faminto por novidades na televisão aberta. No segundo, um instrutor respeitado ajuda a consolidar uma comunidade de mergulho em uma pequena cidade litorânea japonesa.
O silêncio sobre a causa da morte alimenta a curiosidade dos fãs, mas reforça também o modo como ele conduz a própria vida nas últimas décadas: longe de holofotes, próximo do mar. A ausência de herdeiros diretos, após a morte da esposa em 2011, torna ainda mais central a rede de amigos e colegas que agora se mobiliza para preservar sua memória.
No curto prazo, homenagens devem se espalhar entre Brasil e Japão, de maratonas para assistir Jaspion em português a painéis em eventos de cultura pop. A médio prazo, a morte de Hikaru Kurosaki tende a incentivar novas revisitas ao tokusatsu clássico, seja em documentários, livros ou reexibições, consolidando de vez o lugar de Jaspion no imaginário brasileiro. Em Motobu, a comunidade de mergulho terá de se reorganizar sem o fundador da Mother Earth, mas a escola que ele cria nos anos 1990 deve seguir como herança concreta de uma vida que, entre monstros de borracha e corais reais, nunca deixou de ser de aventura.
O que aconteceu com Hikaru Kurosaki, o ator que interpretou Jaspion?
Hikaru Kurosaki morreu em Motobu, na ilha de Okinawa, aos 64 anos. A morte foi comunicada em 2 de julho de 2026 por colegas da Associação de Mergulho local.
Qual foi a causa da morte de Hikaru Kurosaki?
A causa da morte não foi divulgada. Amigos, a associação de mergulho e colegas de elenco confirmam apenas o falecimento, sem detalhar o motivo.
Qual a idade de Hikaru Kurosaki, o eterno Jaspion, quando faleceu?
Ele tinha 64 anos. Nasce em 31 de janeiro de 1962, na cidade de Sakai, no Japão, e tem a morte divulgada em julho de 2026.
Quem são os colegas de elenco que lamentaram a morte de Hikaru Kurosaki?
O principal colega que se manifesta publicamente é o ator Hiroshi Watari, intérprete de Boomerang na série. Ele diz estar chocado e agradece ao amigo nas redes sociais.
Como os fãs estão reagindo à morte de Hikaru Kurosaki?
Fãs de tokusatsu e da cultura pop japonesa e brasileira recorrem às redes sociais para lembrar cenas, episódios e bordões, tratando a morte como fim de uma era de heróis da TV.
Onde posso assistir Jaspion em português para relembrar o trabalho de Hikaru Kurosaki?
A série já teve exibição em emissoras abertas e serviços de streaming no Brasil. A disponibilidade varia por contrato; vale buscar em plataformas legais de vídeo sob demanda e canais que detêm os direitos de tokusatsu.