O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, descartou qualquer possibilidade de incluir o Pix nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A posição foi reforçada durante a reunião com o chefe do Escritório de Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o ministro apresentou um plano que, apesar de não incluir o Pix, possui medidas que atendem às exigências feitas pelos Estados Unidos no âmbito da investigação aberta com base na Seção 301, mas sem qualquer discussão sobre o sistema de pagamento brasileiro, um dos principais alvos das críticas americanas.
A proposta contempla os demais eixos da investigação norte americana, como tarifas preferenciais consideradas desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Redução de tarifas é a principal proposta
A principal oferta apresentada pelo governo brasileiro é a redução de tarifas incidentes sobre cerca de 300 tipos de transações comerciais envolvendo os Estados Unidos. Outras alternativas levadas à mesa incluem projetos em tramitação no Congresso Nacional e medidas infralegais em elaboração pelo Palácio do Planalto.
Esta foi a quarta reunião entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer. Pelas regras da Organização Mundial do Comércio, o Brasil não pode reduzir tarifas apenas para um único país. Por isso, a estratégia apresentada prevê a diminuição das alíquotas para um conjunto de parceiros comerciais, concentrando-se em setores nos quais empresas americanas teriam maior competitividade sem gerar prejuízos relevantes para a indústria brasileira.
As conversas entre os dois governos devem continuar na próxima semana, quando integrantes das equipes econômicas voltarão a se reunir. Também há expectativa de um novo encontro entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer antes de 15 de julho, prazo previsto para que os Estados Unidos decidam se irão recomendar ou não a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Tarifaço amplia disputa política
Enquanto as negociações avançam no plano diplomático, a possibilidade de um tarifaço americano também elevou a temperatura do debate político no Brasil.
Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a família Bolsonaro após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviar uma carta às autoridades americanas defendendo que eventuais tarifas contra produtos brasileiros sejam adiadas.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil “não está à venda” e classificou como “traição à pátria” a defesa do adiamento das tarifas para depois das eleições.
Flávio respondeu, também pelas redes sociais, e acusou o presidente de construir uma “falsa narrativa” sobre a defesa da soberania nacional. Segundo o senador, Lula seria responsável por favorecer a adoção das tarifas ao não conduzir uma negociação eficaz com os Estados Unidos.