Crise com Flávio isola Michelle e embaralha o PL em 2026

Michelle Bolsonaro se afasta do PL e ameaça planos eleitorais para 2026 após conflito com Flávio Bolsonaro.
Redação NC News
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Michelle Bolsonaro sinaliza, entre 2 e 3 de julho de 2026, que pode desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, em meio a uma crise aberta com o senador Flávio Bolsonaro e à dissolução do PL Mulher em nível nacional.

Ruptura pública em família e no partido

A ex-primeira-dama chega a este ponto depois de tornar pública, em 24 de junho, sua queixa contra o enteado. Em vídeo divulgado nas redes, relata ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” por Flávio durante uma discussão sobre a estratégia do PL no Ceará.

O episódio rompe a blindagem tradicional da família Bolsonaro. Conflitos que até aqui se resolviam nos bastidores passam a ser expostos ao eleitorado, justamente no momento em que o partido tenta montar a engrenagem para 2026.

Dois dias após o vídeo, Michelle comunica a saída da presidência do PL Mulher. Em seguida, Valdemar Costa Neto extingue o comando nacional do segmento. Justifica que “não há ninguém com o tamanho de Michelle” para substituí-la, e preserva apenas a estrutura nos diretórios estaduais.

Valdemar tenta conter dano, mas busca plano B

Nas conversas desta semana, o presidente do PL ouve de Michelle que ela já não acredita na disputa pelo Senado. A avaliação interna é de que a ex-primeira-dama tende a abandonar a corrida no Distrito Federal.

Valdemar tenta dissuadi-la. Sabe que a imagem de Michelle é central para falar com mulheres e evangélicos, duas bases que o partido considera decisivas para reduzir a rejeição a Flávio na corrida ao Planalto. Ao mesmo tempo, admite a aliados que o PL já discute nomes para substituí-la na chapa do DF.

A saída dela do PL Mulher acende outro alerta. Sem um comando nacional feminino, a legenda perde capacidade de organização e de mobilização num eleitorado que representa mais da metade dos votos. Para um partido que se defende de acusações de machismo, o gesto é delicado.

Em público, deputadas tentam suavizar o estrago. Soraya Santos, uma das mais ativas, lembra que o PL tem hoje uma das maiores bancadas femininas do Congresso e dispara: “Dizem que o PL não gosta de mulher e é a bancada que mais mulher tem”. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que nenhuma delas concentra o capital político de Michelle.

Pressão doméstica e desgaste pessoal

A decisão de Michelle não nasce só da briga com Flávio. Aliados próximos relatam um acúmulo de frustrações desde que ela assume o PL Mulher e passa a viajar com frequência pelo país.

Jair Bolsonaro pressiona para que a esposa mantenha vida parlamentar e profissional, mesmo em meio à sua prisão domiciliar. Reforça o pedido para que ela concorra ao Senado e ocupe uma cadeira em Brasília. Para ele, ter Michelle no Congresso significa manter uma voz próxima num momento de fragilidade judicial.

Ela resiste. Argumenta que, se for eleita, terá menos tempo para cuidar do ex-presidente e das filhas, o que considera prioridade. Lembra que, quando aceitou comandar o PL Mulher, avisou que faria o trabalho de forma integral, com muitas viagens, e Bolsonaro concordou.

O relacionamento se desgasta ainda mais após o episódio em que o ex-presidente tenta violar a tornozeleira eletrônica, no fim do ano anterior, enquanto Michelle cumpre agenda do partido no Ceará. O gesto leva Bolsonaro à prisão em regime comum. Ela guarda ressentimento pelas críticas recebidas por estar “trabalhando” longe de casa naquele fim de semana, apesar de, segundo aliados, ter viajado a pedido do próprio marido.

Flávio corre atrás do eleitorado feminino

Enquanto a crise com Michelle se agrava, Flávio tenta recompor pontes com as mulheres conservadoras. Em 1º de julho, reúne lideranças em um café da manhã em Brasília, dedicado ao eleitorado feminino.

O encontro sai menor do que o planejado. Michelle não aparece. Nem figuras de peso do bolsonarismo, como as senadoras Damares Alves, Tereza Cristina e Margareth Buzetti. O esvaziamento é lido como recado político.

Flávio tenta ajustar o discurso. Em resposta à frase do influenciador Paulo Figueiredo, que afirmara que “mulher vota muito mal”, o senador diz considerar a declaração “completamente equivocada” e afirma ter se sentido pessoalmente ofendido pela generalização do aliado.

No mesmo ato, admite a dificuldade da direita em dialogar com mulheres. Afirma que, se as pesquisas mostram resistência desse público, “a culpa é da minha falta de competência” e da incapacidade do campo conservador de se comunicar melhor. Em outro momento, busca se humanizar perante a plateia: “sou um homem comum”. E completa: “É a mulherada que manda em casa, é a mulherada que manda no Brasil e que fala por último no palco”.

Mesmo com os gestos, o vazio deixado por Michelle é evidente. Dentro do PL, a percepção é que a ex-primeira-dama, evangélica e com trânsito em igrejas e periferias, é peça-chave para quebrar resistências que o sobrenome Bolsonaro ainda provoca entre eleitoras.

Rearranjo de chapas e disputa por espaços

Sem a confirmação de Michelle, o partido abre discussão sobre as chapas de 2026. No Senado, busca um nome competitivo no Distrito Federal, com capacidade de dialogar com o eleitorado evangélico e conservador. Nomes de ex-auxiliares, como Daniella Marques, aparecem nas conversas.

Na montagem da chapa presidencial, dirigentes também sondam alternativas de vice para Flávio. Marcelo Crivella, ligado ao Republicanos e a setores fortes das igrejas, é um dos citados em negociações que atravessam Rio de Janeiro e Brasília.

A aproximação com o Republicanos é estratégica. O PL tenta compensar, por meio de alianças, o enfraquecimento de sua própria vitrine feminina, depois da saída de Michelle do comando nacional do PL Mulher.

Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente

A crise interna cobra preço imediato. O PL perde sua principal liderança entre mulheres e evangélicos, num momento em que tenta reduzir índices de rejeição nesse segmento. A imagem de unidade da família Bolsonaro, um dos ativos da direita desde 2018, também se desgasta.

Flávio entra na pré-campanha de 2026 pressionado por disputas familiares, pela resistência de parte do eleitorado feminino e pela necessidade de reconstruir pontes com a própria base bolsonarista. Sem Michelle na linha de frente, Valdemar e o senador multiplicam agendas com deputadas e lideranças religiosas para tentar ocupar o vácuo.

Nas próximas semanas, a equação passa por três peças: a decisão final de Michelle sobre o Senado e sobre sua permanência no PL; a capacidade de Valdemar de acomodar feridas e oferecer novos papéis à ex-primeira-dama; e o apetite de aliados, como o Republicanos, em assumir protagonismo num campo hoje marcado por fissuras.

Se a ex-primeira-dama confirmar a desistência, o partido terá de reconstruir sua estratégia com pressa. Se recuar e aceitar a candidatura, precisará mostrar que as feridas abertas em junho e julho não deixaram marcas irreversíveis num eleitorado que observa, cada vez mais de perto, a vida interna do bolsonarismo.

Michelle Bolsonaro ainda pode ser candidata ao Senado?

Ela sinaliza a Valdemar Costa Neto que não acredita mais na disputa pelo Senado, mas, até o momento, não há anúncio oficial de desistência nem definição irreversível.

O PL Mulher acabou em todo o país?

O comando nacional criado por Michelle foi extinto por Valdemar, que diz não ver substituta “com o tamanho” dela. As estruturas estaduais, contudo, seguem ativas nos diretórios locais.

Por que a saída de Michelle é tão grave para o PL?

Ela concentra apelo entre eleitoras e evangélicos, segmentos decisivos para reduzir a rejeição a Flávio Bolsonaro em 2026. Sem Michelle, o partido perde sua principal ponte com esses grupos.

Qual é a posição de Jair Bolsonaro nessa crise?

O ex-presidente pressiona para que Michelle mantenha atividade política e concorra ao Senado, apesar das preocupações dela com a família e do desgaste provocado pelas últimas crises.


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